UMA PRENDA
DE NATAL PARA OS COMPANHEIROS REFLECTIREM ATÉ SE ABORRECEREM OU DELICIAREM
Agora que o Rotary Club de Faro inaugurou recentemente a sua página Web, por sugestão do seu Conselho Director, foram os Companheiros convidados a escrever algo sobre acontecimentos vários que ocorram na actualidade.
Harold Pinter
(Escritor e dramaturgo)
Assim, aproveitando umas férias sabáticas nesta quadra festiva, decidi escrever um pequeno comentário sobre o escritor e dramaturgo Harold Pinter, falecido no passado dia 25 de Dezembro de 2008, por considera-lo um homem que viveu para os outros, travando um combate tenaz contra a falta de liberdade e o elogio da opressão, contra a luxúria de uns e o abandono à miséria de outros, contra o domínio dos mais fortes, sobre os mais fracos, contra a prevalência da mentira sobre a verdade….
Na altura da sua morte, veio-nos à ideia pesquisar algo escrito ou realizado pelo Dramaturgo, Escritor, Ensaísta e “Não-alinhado” Harold Pinter, respeitando a bibliografia recomendada, tomamos a iniciativa de elaborar um comentário ao seu discurso de aceitação do Nobel da Literatura, 2005, “Arte, verdade e política”.
O tema seleccionado, traz à coação um conjunto de questões de grande actualidade, que nos farão reflectir de um modo geral, sobre a verdade estética ou artística, a verdade enquanto valor, enquanto compromisso ético com os outros e a verdade utilizada na linguagem política, tal como é usada pelos dirigentes políticos de uma forma genérica, onde, permanentemente é evidenciada a expressão do “politicamente correcto”, tanto quanto nos é dado a observar, os quais se interessam mais, não pela verdade em si mesma, mas pelo poder que exercem sobre os outros e pela manutenção e manipulação desse poder, a uma escala planetária, mantendo os demais na maior das ignorâncias, longe da verdade natural, incluindo a verdade das suas próprias vidas.
Tal como no passado, a dominação do mais forte sobre o mais fraco, nunca foi tão evidente e insinuante como agora, a sede de conquista das fontes de energia fósseis, a manipulação dos regimes políticos, dos governos e governantes, as várias formas de tortura que cada vez mais se agigantam sobre as nossas cabeças, o modo como a verdade, enquanto valor ético, descomprometido, é, sistematicamente asfixiada e adulterada, pelo cinismo repugnante da verdade, invariavelmente utilizada por certos políticos, onde a arrogância e a prepotência de alguns, condiciona drástica e inevitavelmente a vida de milhões, humilhando-os.
O Autor, no seu discurso, sobre “Arte, verdade e política” e após salientar algumas das passagens das suas principais obras de teatro, faz um diagnóstico muito interessante dos problemas do nosso tempo, e identifica de forma clara, os sujeitos mais intervenientes e responsáveis por essa situação, deixando no mínimo os leitores inquietos, preocupados e porventura indefesos, contudo, mais bem informados, mais cientes de que não basta assistir, ou fazer de conta que não é connosco, apelando veementemente aos intelectuais a intervir, (independentemente das suas sensibilidades políticas), a participar activamente, utilizando a força da palavra nas suas diferentes formas de expressão, em liberdade, sem constrangimentos nem censura.
Pensar o que faz sermos o que somos, tendo em consideração uma perspectiva bioética, pressupõe um conceito prévio de construção humana, um ponto de partida que sirva de referência ao raciocínio livre, verdadeiro e descomprometido, que não deve nem pode estar limitado ou circunscrito à confissão das religiões ou às ideologias políticas, nem estar permanentemente vulnerável às várias formas de intoxicação, avassaladoramente estimuladas pelos Média, mas que, todavia, saiba distinguir o bem e o mal, a verdade e a mentira, o que é real do irreal, o que é verdadeiro e o que é falso, enquanto cidadão do mundo.
Harold Pinter nasceu há 78 anos, em Londres, Reino Unido, filho de Judeus de origem portuguesa.
Considerado o maior dramaturgo britânico vivo em 2009, era autor de mais de trinta peças de teatro contemporâneo, entre as quais se destacam, “À volta do Lar”, “O Amante”, “Feliz Aniversário” e “Antigamente” [i].
Além de dramaturgo, Pinter era autor
de inúmeros poemas e prosas entre os quais se destacam, “Ano novo nas Midlands”, “Riquiem por
Tais obras, estão representadas e traduzidas em várias línguas em todo o mundo, fazendo parte do reportório contemporâneo, onde o Autor “encenou e representou em algumas das suas mais de trinta peças. Escreveu também para a rádio, televisão e cinema, onde é difícil esquecer a colaboração com Joseph Losey” [ii].
Foi revelado pela primeira vez em Portugal por Jacinto Ramos, que dirigiu “O Serviço na Guilherme Cossoul” em 1963.
Harold Pinter era conhecido mundialmente pela sua participação em campanhas pela defesa dos direitos humanos, muitas delas integradas em Comissões nomeadas pela O.N.U., tendo sido um “crítico ferrenho das políticas públicas desenvolvidas por Margaret Thatcher, ex-primeira ministra do Reino Unido”, bem como, da “política externa do ex-presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reegan” 1.
“Era um forte opositor às políticas belicistas, opondo-se à invasão do Iraque em 2003, contestando assim as políticas de George Bush e Tony Blair. Considera também Slobodan Milosévic como uma figura digna, um “herói nacional” da Sérvia” 1.
Adquiriu fama, pelo seu estilo livre, boémio, controverso e cheio de silêncios, alcançando grande sucesso desde os anos 1950, com a apresentação das suas peças de teatro, deixando a audiência e os críticos interrogando-se qual o sentido escondido por detrás da sua acção.
O Autor é, um dos principais nomes do teatro nas últimas décadas e o Júri que lhe atribuiu o prémio Nobel da Literatura em 2005, afirma que “O Autor nas suas peças revela o precipício que existe debaixo da balbúrdia do quotidiano e as forças que entram nos quartos fechados da opressão” 1.
Sob o signo da “Arte, Verdade e Política”, (discurso de aceitação do Prémio Nobel da Literatura 2005, gravado numa cama de hospital onde já se encontrava muito doente), Harold Pinter, do nosso ponto de vista, lança um grito à humanidade, exigindo reflexão, alertando-a para os gravíssimos riscos que esta incorre, face a uma política de globalização planetária conduzida por alguns que, enfatizando o valor da verdade e em nome da Liberdade e da Democracia, promete tudo a todos, mas cujo final toda a gente desconhece, deixando atrás de si um rasto de fome e miséria, como já começa a ser evidente, nalguns países e comunidades a sul do Equador.
Citemos aqui um artigo publicado no jornal “O Independent” com o título “Tortura e miséria em nome da liberdade” que, em 14 de Outubro de 2005 Harold Pinter descreve “O grande poeta Wilfred Owen articulou a tragédia, o horror – e, de facto, a piedade – da guerra, de um modo que nenhum outro poeta fez. Mesmo assim, não aprendemos nada. Quase 100 anos depois da sua morte, o mundo tornou-se mais selvagem, mais brutal, mais impiedoso[iii]”.
De facto, o mundo, cada ano que passa, está cada vez mais perigoso, devido à arrogância, à prepotência e à intolerância por parte de alguns, pois a ausência de uma liderança forte e eticamente eficaz, que exerça no seio da O.N.U., uma autoridade suficientemente credível e representativa dos povos nela representados, onde todo o tipo de conflitos possam ali serem dirimidos, através do diálogo, da tolerância, e a contento do bem comum, onde por razões sociais, culturais, políticas, religiosas e económicas, os homens não tenham que socorrer-se ou lançar mão das riquezas dos outros, sem pagar o justo valor que lhe é merecido.
Por detrás de cada conflito, existe sempre um interesse, mesmo a coberto de se restituir a liberdade e a democracia, seja ela política, religiosa, cultural ou económica.
No início do seu discurso, Harold Pinter [iv] descreve “Em 1958 escrevi: «não há uma distinção clara entre o real e o irreal, nem entre o verdadeiro e o falso. Uma coisa não pode ser nem verdadeira nem falsa. Pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo” e acrescenta, “Acho que esta afirmação ainda faz sentido e é relevante para a exploração da realidade através da arte. Por isso, enquanto escritor, defendo esta afirmação, mas enquanto cidadão não a posso fazer. Enquanto cidadão, tenho de perguntar: o que é que é verdadeiro? O que é que é falso?”
De uma forma resumida, Pinter no seu discurso de aceitação do Nobel da Literatura em 2005, faz um libelo acusatório à política externa das potências económicas e militares do Ocidente, isto é, dos Estados Unidos e da Inglaterra, que a coberto de uma mentira monumental, (existência de um arsenal atómico no Iraque), promoveram a invasão e consequente ocupação militar da República do Iraque, considerando-a como um “acto de evidente banditismo e de terrorismo de Estado” 4.
Para além de enumerar um somatório de golpes de
Estado ocorridos em várias partes do mundo nos últimos 30 anos, recordando em
particular, “o horror que os Estados
Unidos fizeram abater sobre o Chile em
No seu artigo publicado no jornal “Independent” em 14 de Outubro de 2005, o Dramaturgo, escreve, “Um relato independente e totalmente objectivo sobre a população civil morta no Iraque, a revista médica “The Lancet”, estima que a cifra se aproxima de 100.000 mortos. Mas nem os EUA nem o Reino Unido se dão ao trabalho de contar os mortos no Iraque. Como disse o General Tommy Franks, do Comando Central dos EUA: Nós não contamos os mortos”3. Com esta frase, podemos muito bem avaliar o nível de desprezo pela pessoa e pela dignidade da vida humana a que está vetado o povo Iraquiano.
O que é preocupante, é que no Ocidente, tudo o que se tem vindo a fazer, tem sido em nome do “mundo livre”, conceito muito desenvolvido a partir do final da II Guerra Mundial, tal como refere Harold Pinter, no seu discurso de aceitação do Prémio de Poesia Wilfred Owen, em 18 de Março de 2005, “O «mundo livre» que nos é afiançado, (tal como aparece nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha) é diferente para o resto do mundo, uma vez que as nossas acções são ditadas e sancionadas por uma autoridade moral e por uma paixão moral supervisionada por alguém chamado Deus. Algumas pessoas podem achar isto difícil de compreender, mas Osama Bin Laden acha fácil”[v].
Infelizmente, evoca-se permanentemente o nome de Deus, para justificar conflitos belicistas um pouco por todo o mundo, particularmente no Ocidente (não há discurso feito pelo Presidente dos Estados Unidos à Nação, que não termine com a seguinte frase “God bless América”), e Médio Oriente (Israel, Palestina, Iraque, Irão, Líbano etc.), com o objectivo de impor uma nova Ordem Mundial, quando na realidade o que está em causa são os interesses económicos, o controlo de várias fontes estratégicas de energias fósseis, com ênfase no petróleo, o controlo dos regimes políticos nesses países, (instituindo governos fantoches), a ocupação indevida das terras, resultando no aparecimento do fundamentalismo religioso que leva inevitavelmente ao aparecimento dos regimes teocráticos (Irão) e de outros ditos e apelidados de democráticos (Israel).
Não é por acaso, que já começa a desenhar-se no horizonte um novo confronto belicista, com repercussões na vida da população mundial, entre dois tipos de fundamentalismos político-religiosos, um fundamentalismo cristão, liderado pela cúpula do actual governo Americano e pelo chefe da Igreja de Roma e outro fundamentalismo muçulmano, liderado pelo regime dos Ayatolas do Irão e os dirigentes de países como, Paquistão, Afeganistão. Tudo em nome de Deus.
Quanto a nós Portugueses, não podemos deixar de reflectir e ponderar sobre aquilo que sucedeu há cerca de três dezenas de anos, com certos povos que falam a língua de Camões, por exemplo, ainda está por explicar a invasão de Timor-Leste pela Indonésia em 1975 e a carnificina que se lhe seguiu.
Harold Pinter, no seu discurso pronunciado na sessão de doutoramento, em Turim, em 27 de Novembro de 2002, refere que a “invasão daquele pequeno país da Oceania provocou duzentas mil mortes em Timor-Leste, levadas a cabo pelo governo indonésio, mas inspiradas e apoiadas pelos Estados Unidos”[vi], nomeadamente, pelo Presidente Ford.
Presentemente é caso para se pensar, o que leva a
Austrália, em Maio de
Qual ou quais os países que estão por detrás (destes invasores), desta singular e “altruísta” ajuda.
Pelo que nos apercebemos através dos média, o que não falta em Timor-Leste é fome e miséria. Logo para quê forças armadas? Para prevenir ou evitar manifestações de rua, assaltos à mão armada, violações da propriedade privada? Manutenção da Ordem e das Leis num Estado de Direito? È caso para perguntar: quem são os mandantes, que riquezas foram recentemente descobertas no subsolo do País, que posição geo-estratégica possui aquele pequeno Estado? Qual o tipo de língua que é ali oficialmente lida e falada?
Perante este quadro de intolerância mútua, que se assiste diariamente em nossas casas, através dos media, vale a pena recordar a narração de Paulo Eduardo Carvalho[vii], onde “à conversa sobre os problemas que nos põe o teatro de Harold Pinter”, introduzindo alguma controvérsia, tenta articular duas peças de teatro do Autor “A Nova Ordem Mundial” de 1991, e a “Língua da Montanha” de 1988, para concluir que estes dois textos, são “...representativos da produção dramática ostensivamente política de Pinter”.
E vai mais longe, descobre naquelas obras, que o Autor afirma que “A Nova Ordem Mundial, é um retrato brutal da tortura” 7, para concluir que “...a estratégia do dramaturgo passa por uma interrogação funda da linguagem e do que ela significa”, o que interpela as nossas consciências de forma permanente, pois “o homem vendado não pode falar”.
E o narrador Paulo E. Carvalho 7, vai mais longe na apreciação da peça de Pinter “Língua da Montanha”, referindo que a mesma “é uma peça inspirada pela experiência de supressão da língua curda”, embora reafirme que “...o seu tema seja, nas palavras do próprio dramaturgo, a supressão da linguagem e a perda da liberdade de expressão”, para concluir que, “Esta apresentação sublinha a sua relevância, contrariando a divisão fácil entre “Eles” e “Nós”, isto é, as tiranias moralmente falidas e as supostamente superiores democracias ocidentais”.
Mas Harold Pinter foi durante quase toda a sua vida um dramaturgo e encenador, apesar de ignorado por muitos dos “...seus colegas Continentais e encenadores mais conhecidos, com excepção de alguns mais rotineiros”, citando Jorge Silva Melo[viii], o qual “à conversa sobre os problemas que nos põe o teatro de Harold Pinter”, refere que “Pinter nascido e crescido dentro do teatro, actor (daquelas companhias de reportório inglesas onde começavam a ensaiar à segunda-feira...), Harold Pinter nasce nesse teatro, com digressões, convenções e nesse reportório convencional, apresenta peças policiais, pequenas comédias boulevard ou regionais, alguns clássicos feitos no mesmo esquema segunda-feira-sábado”, para concluir que, “Harold Pinter escreve e encena. É o encenador absoluto das peças que escreve, não só porque também as dirigiu no palco”.
Desafiando o rigor, a secura, a modéstia a elegância da própria escrita e o amor não narcisista do Autor, Jorge Silva Melo 8, acrescenta que “Na tradição continental é o contrário: colonizados por Reinhard, os encenadores sentem-se na obrigação não apenas de pôr uma obra de pé, mas de acrescentar um ponto como quem um conto conta”, logo concluindo que “...os textos que Pinter escreve e encena, são modestos exercícios feitos já no palco, os quais não se prestam a cambalhotas estilísticas”, o que provocou e provoca algum mal-estar em muitos dos encenadores europeus que se lançaram na apresentação e encenação das suas obras, com excepção de Peter Hall, seu conterrâneo e Claude Régy de origem francesa, com os quais o dramaturgo se “entendeu muito bem”.
Muitos outros já se têm debruçado sobre a vida e obra de Harold Pinter, como seus representantes, ao longo de vários anos, contudo a sua visão política do mundo contemporâneo, é aquela que teve e tem mais impacto nos cidadãos, pois os textos do dramaturgo, interagem com as suas vidas no dia a dia, são apelativas das consciências e dos valores que regem a vida do ser humano, apelando ao diálogo na resolução dos problemas e invertendo as prioridades quanto ao desenvolvimento das sociedades, afinal somos um só mundo e citando Hans Kung[ix], a necessidade de “exigir uma responsabilização ao nível global significa, em primeiro lugar, exigir exactamente o contrário daquilo que uma mera ética do êxito implica; o oposto de uma conduta em que os fins santificam todos os meios e segundo a qual é considerado bom aquilo que funciona, que dá lucro, poder ou prazer”.
É óbvio que, cada vez mais o homem é confrontado com inúmeros desafios e a sua apetência pelo poder e pela ganância, torna-o mais insensível e desumano nas suas atitudes e convicções, contudo Hans Kung 9, defende que “As palavras de ordem do terceiro milénio deveriam ter, por conseguinte, um teor muito concreto: responsabilidade da sociedade mundial pelo seu próprio futuro! Responsabilidade pelo mundo contemporâneo, pelo meio ambiente, mas também pela posterioridade”.
Julgo que a obra de Harold Pinter, é um contributo muito importante na procura de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.
Quer na política quer no teatro, a escrita de Harold Pinter, condiciona meticulosamente de tal forma as coisas que os seus leitores, estudiosos, encenadores e autores, quase não têm nada para fazer ou acrescentar, a não ser aquilo que presumo não gostam, segui-lo cegamente, e esquecer que, para além do dramaturgo e escritor, existe um homem, um humanista, uma criatura de Deus, um cidadão do mundo.
Como se poderá verificar, um discurso com toda esta força e importância, iria concerteza causar algum mal-estar nos media a nível internacional, e principalmente nas forças políticas que estes em grande parte representam, contudo a imprensa mais importante (que se absteve prudentemente de reproduzir as palavras blasfemas do escritor) considera-as inaceitáveis e sugeriu que este deveria pedir desculpas aos americanos, ingleses e ao público em geral.
Outros foram mais longe, chamando a atenção que, o desvario do dramaturgo só seria explicável pelo seu desejo de chocar os seus ouvintes e leitores, acrescentando que tal discurso não passou de uma última representação de um actor que sabe que vai morrer, ou até, quem sabe, efeito da tomada de sedativos.
Contudo, como alerta o próprio Pinter 4, “o caso é que os factos tenebrosos que se convenciona ignorar existem, tais como os assassinatos em massa de que mal se fala, ou não se fala de todo, existem. A sede de conquista, a manipulação, a tortura que se agigantam sobre as nossas cabeças são bem reais”. Compreende-se pois, que o escritor defenda a urgência de “uma determinação intelectual feroz, estóica, inquebrantável”, para romper a teia de mentiras que nos envolve a todos, a fim de “conseguirmos definir a verdade real das nossas vidas e das nossas sociedades”. Esse é o nosso “dever imperativo”.
O crítico Denis Scheck[x], da rádio “Deutschlandfunk”, classificou o premiado como uma “ofensa à literatura mundial” e acrescentou, “É preciso considerar se não se deveria mudar o nome do prémio para «medalha dos salti-bancos»”, segundo o mesmo crítico, “o redactor tradutor, o júri passou vergonha, pois há numerosos autores vivos que este ano saíram novamente de mãos vazias”.
Uma outra crítica vinda de uma jornalista austríaca, Sigrid Lóffler[xi], editora da revista “Literaturen”, falou de “uma escolha bizarra” para concluir que ela se fizesse parte do júri, “não teria escolhido Pinter, nem de longe, além do mais ele está demodé”.
Ainda o crítico literário, Franz Wille[xii] reforça aquelas opiniões na revista “Theater heute” publicada em Berlim, onde o mesmo refere que “Pinter está praticamente ausente das programações teatrais alemãs, portanto este Nobel estaria chegando 30 anos atrasado”, concluindo dizendo, que “Nas décadas de 60 e até 70, os seus textos forneceram importantes impulsos formais e temáticos, porém as últimas peças estão bem abaixo em termos de qualidade”.
Por outro lado, Harold Pinter tem também muitos
amigos e admiradores, e a atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2005, foi
para eles um momento de grande regozijo e alegria, tal como evoca o crítico
literário Ranicki[xiii], um dos mais populares da Alemanha, o qual
considerou que a atribuição do Nobel da Literatura
A reforçar esta tese, a vencedora do Prémio Nobel
de Literatura
A Academia das Artes de Berlim, pela voz do seu
Director Teatral, Peter Zadek[xv], declarou a propósito da atribuição do Prémio
Nobel de Literatura
Para o crítico literário Augusto Valente[xvi], refere a certa altura que “Harold Pinter é autor de peças de enorme sucesso como, “Traição”; “A festa de Aniversário” e” Volta ao Lar”, assim como dos roteiros cinematográficos para “A mulher do Tenente francês” e “Uma estranha passagem por Veneza”, reforçando ainda que, “Ao lado dos elementos existenciais, absurdos ou metafísicos da sua obra – herdados da dramaturgia do Irlandês Samuel Beckett (1906-1989 -, Pinter tem se destacado pela luta contra a pena de morte, tortura, guerra e repressão”, citando o que o dramaturgo terá declarado a certa altura, “O futuro é o pretexto de todos os que não querem se envolver com o presente”
Contudo, não é por acaso, que o dramaturgo Pinter 6, no seu discurso pronunciado na sessão de doutoramento, em Turim, que ocorreu a 27 de Novembro de 2002, vem dizer que, “As pessoas não esquecem. Não esquecem a morte dos seus companheiros, não esquecem a tortura e a mutilação, não esquecem a injustiça, não esquecem a opressão, não esquecem o terrorismo dos grandes poderes”.
Para finalizar, Valente 16, refere, “Para além da sua actividade literária, o dramaturgo londrino ficou notório pelo seu discurso de 10 de Setembro de 2001, na Universidade de Florença”, e acrescenta, “Ele criticara a política dos Estados Unidos, expressando «profunda repulsa» contra a superpotência, considerando-a como uma «máquina mundial brutal e maligna»”, para concluir que, “Pinter irado, terá dito «A resistência contra os Estados Unidos crescerá»”.
Não é por acaso que no dia seguinte, data do atentado contra o World Trade Center e ao Pentágono, as suas declarações tornar-se-iam de carácter profético.
Em resumo,
Do comentário ao discurso de aceitação do Nobel da literatura 2005, de Harold Pinter, resta-nos concluir, que a pesquisa feita quanto à sua biografia e quanto à sua obra, enquanto dramaturgo, e a análise efectuada e singelamente descrita neste comentário é o seguinte:
Em 1º lugar, a sensação que se nos ocorre, é de termos encontrado um tema muito importante e de grande actualidade, que se relaciona com a utilização da Verdade, nas suas mais genuínas formas de a transmitir.
Em 2º lugar, toda a transformação reside no homem, em nós, e se quisermos mudar aquilo que as nossas consciências ditam como nocivas, temos que arregaçar as mangas e trabalhar no sentido de as melhorar, com os outros, em paz e tolerância.
A verdade utilizada em “Arte, verdade e política”, restringe-se a uma verdade de aprendizagem, uma verdade com muitos significados, uma verdade multifacetada, uma verdade com muitos destinatários, e como tal, tem o seu valor enquanto acto individual estético, (“O Grito de Edward Munch” – um quadro, ou “À espera de Godot de Samuel Becket” – uma peça de teatro), são exemplos disso.
A verdade utilizada na “política” ou a verdade e a política, é sempre simulada, insinuante, por vezes perversa e acutilante. È uma verdade que não assume o seu valor real ou literal, enquanto compromisso ético com os outros, é uma verdade manipulada e manipuladora, que favorece a aculturação das pessoas e atenta por vezes contra as seus direitos, liberdades e garantias.
Independentemente dos regimes políticos, (monárquicos, democráticos, teocráticos, militares, ditaduras das mais diferentes espécies, existentes um pouco por todo o mundo), a conservação do poder e o seu exercício, é condição prévia, para que a manipulação da verdade, enquanto valor ético, seja a primeira condição para os manter vivos e agarrados ao poder, enquanto regimes políticos.
Não temos dúvidas que os regimes democráticos são os menos penalizadores da liberdade individual do homem e do respeito pela dignidade humana, contudo, perguntamo-nos: até onde vai o neoliberalismo e a livre iniciativa do homem? Quais os limites?
Os últimos acontecimentos relacionados com a globalização da economia e das finanças mundiais, o aumento do custo de vida e da fome, bem como, a proliferação das doenças nos países em vias de desenvolvimento, entre outros, põe a nu, as fragilidades dos regimes democráticos, cujos governantes se deixaram manipular e corromper pelos agentes do capitalismo desenfreado, ficando refém destes, fazem-nos reflectir sobre a falta de responsabilidade, de supervisão e controlo, fundadas na autoridade legítima, sem as quais a liberdade não poderá ser exercida
Ou não será que as falsas verdades acabarão por matar as democracias? Harold Pinter dá numerosos exemplos.
Veja-se o trabalho e o esforço desenvolvido por Hans Blix, o Sueco que tentou, em vão, explicar ao mundo que Saddam Hussein, não possuía armas atómicas.
Será que valeu a pena a morte de Sérgio Vieira de Melo, assassinado à bomba em Bagdad na qualidade de Alto representante das Nações Unidas? Valerá a pena continuar a morrer milhares de pessoas civis como nós no Iraque, no Afeganistão, na Índia, no Paquistão, em Israel ou na Palestina? Só no Iraque, as últimas estimativas já lá vão para cima de 250.000, desde que a guerra começou.
Só há algo em que não posso concordar com Harold Pinter, é o mesmo considerar Slobodan Milosévic como “uma figura digna, um herói nacional da Sérvia”. E perguntamos: quem é o responsável político e moral pela morte dos 200.000 muçulmanos da Bósnia-Herzgovina, da Croácia, do Kosovo e do enclave de Sbérnica?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1
- WIKIPÉDIA, “Biografia de Harold Pinter”, 2005 (consulta em 25 de Dezembro
de 2008, pelas 19 horas e trinta minutos). Acedido em: http://pt.Wikipédia.org/wiki/Harold
Pinter.
2 - PINTER, Harold, “Várias
Vozes”, 2006, Edições quasi, contracapa.
3 - PINTER,
Harold, “Tortura e miséria em nome da liberdade” 2005, (consulta em 25
de Dezembro de 2008, pelas 21 horas). Acedido em: http://www.imediata.com.
4 - PINTER, Harold, “Discurso
de aceitação do Nobel da Literatura 2005, Arte, Verdade e Política”, “Várias
Vozes”, 2006, Edições quasi, pp.
5- PINTER, Harold, “Discurso
de aceitação do Prémio de Poesia Wilfred Owen”, “Várias Vozes”, 2006, Edições
quasi, pp.
6 - PINTER, Harold, “Discurso
pronunciado na sessão de doutoramento na Universidade de Turim, Somos a doença”,
“Várias
Vozes”, 2006, Edições quasi, pp.
7
- CARVALHO, Paulo Eduardo, “À conversa sobre os problemas que nos põe o teatro
de Harold Pinter”, 2002, (consulta em 25 de Dezembro de 2008, pelas 23, 15
horas), acedido em http://pt.Wikipédia.org/wiki/Harold Pinter.
8
- MELO, Jorge Silva, “À conversa sobre os problemas que nos põe o teatro de
Harold Pinter” , 2002, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 10 horas),
acedido em http://pt.Wikipédia.org/wiki/Harold Pinter.
9
- KUNG, Hans, “Projecto para uma Ética Mundial” Epistemologia e Sociedade,
Lisboa, Instituto Piaget, pp.
10 - SCHECK, Denis, da
rádio Deutschlandfunk, “Críticas a Nobel
para Harold Pinter”, 2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 14
horas), acedido em www.dw-world.html.
11 - LÓFFLER, Sigrid, editora
da revista “Literaturen”, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 14,30 horas), acedido em www.dw-world.html.
12 - WILLE, Franz,
redactor da revista “Theater heute”, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 18,36 horas), acedido em www.dw-world.html.
13 - RANICKI, Marcel
Reich, entrevista a uma agência de notícias alemã, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 22,45 horas), acedido em www.dw-world.html.
14 - JELINEK,
Elfriede, Autora de teatro, Dramaturga, Prémio Nobel da Literatura 2004, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 23,10 horas), acedido em www.dw-world.html.
15 - ZADEK, Peter,
irector teatral da Academia de Artes de Berlim, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 27 de Dezembro de 2008, pelas 09,25 horas), acedido em www.dw-world.html.
16 - VALENTE, Augusto,
“Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 27 de Dezembro de 2008, pelas 11,18 horas), acedido em www.dw-world.html.
SEVERINO CARREIRA
(Vice-Presidente)

CARTA SEM
CÓDIGO POSTAL A UM JOVEM ROTÁRIO
Caro Companheiro:
Depois das formalidades,
digamos, protocolares, no nosso movimento, acabaste por ser admitido a
participar
Tens também já
assistido a algumas reuniões festivas e a outras, em que assististe – e até
participaste – em palestras de rotários ou de convidados e respectivos
comentários. Já te aconteceu, ainda, teres feito a tua auto-apresentação
rotária, em dias festivos. Já contribuíste também com satisfação para as
manifestações ad hoc de solidariedade, que se inventam, de vez em quando, para
a Fundação Rotária, ou para o cumprimento de obrigações a que aderimos.
Não
julgues, no entanto, que já és catedrático
Já me aconteceu
passar pela presidência do nosso clube. E fui palrar a mais de meia dúzia de
outros, por esse país, no cumprimento de obrigações rotárias. Assim cheguei a
veterano, mas também vou comparecendo, quase sem faltas, às reuniões do nosso
clube, e, sempre que é preciso e possível, às de outros. Porque sei e penso que
está certa esta necessidade de ser assíduo.
É, como sabes, um
dever importante este da assiduidade. Pode custar, eu sei. A D. Xepa ou a
Gabriela dão cabo da assiduidade de alguns. Mas lembra-te companheiro, que é
mais importante o compromisso que tomamos. É que, cada um de nós, rotários, não
é senão um dos quase milhão de rotários que estamos a caminho de ser. Um homem
pacífico, um homem de paz, em constante reciclagem, pela assiduidade, pelos caminhos
da maior e melhor compreensão entre os homens. Onde quer que encontres outro
com o mesmo emblema, estás com um amigo, com outro companheiro no mesmo ideal
de fraterna solidariedade. Seja ele português, como tu, ou não.
É que o movimento
rotário está acima, ou se preferires, para além do teu próprio país. Já, que,
bem vistas as coisas, o ideal implica a consideração de que qualquer homem é
irmão de outro homem. Aliás a lição está nos Evangelhos, há dois mil anos. E
suponho ter resumido esta ideia numas palavras rimadas, que inventei, aqui, há
anos, numa altura como esta de passagem de tarefas. “No seu sentido profundo/ a
roda é a roda das mãos / dos companheiros-irmãos/ à roda de todo o mundo.”
É isto que
nos permite, em qualquer país livre – e só existe Rotary em países livres, onde
se respeitam os direitos do homem – podermos confiar no companheiro-irmão que
pode ou não falar a nossa língua, mas fala a mesma linguagem rotária de
solidariedade fraterna. O desenvolvimento deste espírito de compreensão universal
foi pensado também por um poeta extraordinário, nascido aqui no Algarve e que
disse numa quadra belíssima, ele que não conheceu Rotary, o que é o espírito
rotário. Queres ouvir?
O
mundo só pode ser
Melhor
do que até aqui,
Quando
consigas fazer
Mais
pelos outros que por ti.
Pois é,
jovem companheiro, o Poeta Aleixo adivinhou e disse por nós, em poucas
palavras, o mesmo que temos por lema, que é o “dar de si, antes de pensar em
si”.
É nesta fé,
isto é, nesta fidelidade a um ideal, que estamos unidos, nesta roda das mãos
dos companheiros-irmãos, à roda de todo o mundo.
Um
abraço de companheirismo do
Joaquim
Magalhães
(Rotary Clube de Faro)

A GLOBALIZAÇÃO E OS SEUS EFEITOS SOBRE ROTARY
O
último relatório anual do Banco Mundial mostra um panorama sombrio sobre o
futuro dos países em vias de desenvolvimento no próximo milénio.
O mundo está
perdendo a batalha contra a pobreza e no início do ano 2000, 1500 milhões de
pessoas viverão só com um dólar por dia, 300 milhões mais que em 1987. As
previsões para o século que vai começar são pouco animadoras e alguns números
deste relatório são assustadoras:
Em 2015, 1900 milhões de pessoas viverão em níveis
de pobreza absoluta. O emprego infantil afectará 250 milhões de crianças de
entre 5 e 14 anos. Em alguns países africanos, a SIDA pode causar uma redução
de mais de 10% do crescimento do seu PBI. 90% da população urbana pertencerá ao
mundo em vias de desenvolvimento. Na América Latina, em
A pergunta que
devemos fazer é: ESTÁ ROTARY PREPARADO
PARA ESTAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE LHE CABE
Sem dúvida que a
globalização afectou Rotary e como consequência disso não estamos preparados
para estas circunstâncias. De um ponto de vista doutrinal, associou-se a
globalização ao neo liberalismo. Certamente tem que ver, porque uma das bases
do liberalismo é a liberdade de intercâmbio. Mas as autênticas causas da
globalização foram os avanços tecnológicos, que permitem realizar em horas,
minutos ou inclusive em "tempo real" (isto é instantaneamente) as
coisas que antes demoravam meses ou anos. As mudanças que produz a globalização
não só são profundos, mas também fundamentalmente velozes.
A existência de Rotary
em mais de 100 anos, deve-se a que soubemos adaptar-nos às circunstâncias e
fomos, em alguns casos, precursores de mudanças no mundo. A diferença na
actualidade é que as mudanças vão à frente da adaptação que Rotary pode
realizar.
E este problema fundamental,
não é só de Rotary, mas também de muitas empresas, organizações e pessoas.
Até à década do 80,
considero que Rotary se adaptou bem às mudanças, mas na de 90, parámos no
tempo.
Os programas mais
bem-sucedidos da Fundação Rotária como são as Bolsas de Boa Vontade e o
Intercâmbio de Grupos de Estudo têm mais de 30 anos de vigência, com pequenas
variantes. Não será tempo de rever estes programas? As circunstâncias e
exigências do mundo actual são muito diferentes das dos anos sessenta.
Globalização é sinónimo de competência, e Rotary também tem competência, que
não são o Clube de Leões ou o Clube Argentino de Serviço, mas sim a quantidade
de ONG, câmaras empresariais, colégios profissionais, etc.
Então devemos
melhorar o produto que oferecemos e fundamentalmente devemos pensar que as
pessoas na actualidade valorizam muitíssimo o seu tempo disponível. Não será a
altura de modernizar as reuniões e fazê-las mais curtas e mais efectivas?
A competência
significa capacitação. Hoje é fundamental estar informado e conhecer sobre o
produto que alguém oferece, e a maioria dos rotários desconhece os programas e
possibilidades que nos oferece Rotary. É por isso necessário capacitar aos
rotários. Devem existir além da Assembleia e o Seminário de Presidentes, Institutos
de capacitação a nível distrital com mais frequência.
A globalização
também trouxe consigo uma mudança na forma de pensar e ver as coisas. O que
tempo atrás não era ÉTICO, hoje é-o. Entretanto a ética é a mesma, mas assim
estão as coisas e a estas circunstâncias se devem adaptar os rotários.
Isto implica que
devemos trocar a nossa forma de pensar e participar em actividades que a
sociedade reclama, como exigir aos governantes transparência e mais ainda,
solicitar aos governos de turno subsídios para realizar obras, que, certamente,
serão mais eficientemente administrados.
Devemos opinar
publicamente sobre a corrupção, a justiça, a educação, a segurança e tantos
outros temas que afligem a sociedade. Devemos deixar de lado o pensar que nos
pontuará de políticos, porque o que estamos fazendo é precisamente estar ao
lado da comunidade.
A globalização
trouxe consigo também problemas económicos para muitos, e em especial para a
América Latina. Mas considero que é mais uma desculpa, que uma causa. Temos o
exemplo dos EUA, que tiveram a melhor economia dos últimos anos, e contudo o
ano passado diminuiu a quantidade de sócios, o que evidencia que o problema é
outro.
Globalização
significa também comunicação, e neste campo é que temos mais deficiências. Chegou
o momento no qual Rotary também realize MARKETING, é necessário que se faça um
estudo e se veja a possibilidade de que se invista em publicidade.
Sem dúvida a
globalização afectou a nossa instituição, e o maior desafio que temos, os
rotários, é conseguir mudar os esquemas, que durante muitos anos tivemos todos
os que vivemos neste novo mundo globalizado.
O filósofo
norte-americano John Garner disse "Vemos com frequência que no seu caminho
ascendente os dirigentes se convertem em escravos dos já existentes, em lugar
de fazedores do futuro... Não há organização que possa permanecer activa por
muito tempo se não contar com condutores de temperamento independente que a
ajudem a crescer"
A única maneira de poder
manter a nossa liderança é adaptando-nos às mudanças que se produzem, de
contrário pararemos no tempo, com as consequências que isso implica.
EGD Ricardo Baroni.
Distrito 4.810
Amigos de Rotário:
Talvez os artigos que anexo, possam ajudar a
clarificar em algo o que se está passando na nossa instituição. Além disso
penso que quem quer ao Rotary, não se vai, mas sim deve ficar e tratar de
reverter o que se está passando, e lutar pelos seus princípios, porque os
espaços que um deixa, ocupam-no outras pessoas.
Saudações.
EGD Ricardo Baroni
D4810

PORTUGAL ROTÁRIO
Um bosquejo histórico
AS ORIGENS DO TÍTULO
O
título “PORTUGAL ROTÁRIO” é já bastante antigo. As ideias da criação de um Distrito
Rotário em Portugal, assim como do lançamento de uma revista rotária
portuguesa, surgiram do pensamento de um Rotário eminente, membro do Rotary
Club de Lisboa, José da Cruz Filipe. A esse tempo – anos 30 do Séc. XX – o
Rotary Club de Lisboa publicava um Boletim Mensal, excelentemente dirigido por
ele, e é na sua edição de Fevereiro de 1935 que surge a notícia de que, na sua
reunião de 3 desse mês, a Direcção do Clube, aceitando a proposta de Cruz
Filipe, deliberara que se iniciassem os trabalhos necessários à concretização
duma revista rotária nacional.
Como
esta ideia andava associada à da criação de um Distrito Rotário, começaram, a
partir daí, a realizar-se “Reuniões Magnas dos Rotários de Portugal”, uma
iniciativa que foi como que a precursora da Conferência Distrital no nosso
País.
O Compº. José da Cruz Filipe foi, pois, o obreiro quer da
dinâmica da criação do Distrito, quer do aparecimento da Revista, para cuja
denominação ele escolheu “PORTUGAL ROTÁRIO”. Nessa época, contudo, todas as publicações
periódicas eram sujeitas a censura prévia da Comissão de Censura, que também
era a entidade que teria de autorizar ou de rejeitar o seu título. Cruz Filipe
logo requereu, em nome do Rotary Club de Lisboa, a aprovação do título aludido,
mas a Comissão de Censura demorou longamente a despachar o assunto, o que
causou sérios embaraços. É que havia compromissos publicitários que já tinham
sido assumidos, e havia que respeitá-los mediante a sua inserção e divulgação,
na data prevista, nas páginas da Revista.
A
demora foi tanta que, como tinha sido previsto o aparecimento da Revista no
decorrer dos trabalhos da “Reunião Magna” de
AS ORIGENS DA REVISTA
1.ª Fase
É aqui, na referida altura, que surge pela
primeira vez o título “PORTUGAL ROTÁRIO” e numa publicação que se considera um
mero “suplemento” de Boletim. Esse suplemento foi distribuído sem autorização
da Comissão de Censura, que ainda não tinha, sequer, autorizado o título.
Aconteceu na 1ª “Reunião Magna dos Rotários de Portugal”. Tal “suplemento”
tinha 16 páginas de textos e 27 páginas de anúncios, e era do formato A4.
Surgiu tendo como Director, Cruz Filipe, e como Editor e Administrador Moitinho
de Almeida. Foi um inegável acto de coragem do Compº. José da Cruz Filipe uma
vez que a edição saiu sem a “carga” de Visado pela Comissão de Censura,
donde resultar a responsabilização pessoal do Director.
É já em Junho de 1940 que surge como
verdadeira revista nacional o “PORTUGAL ROTÁRIO”, a 2ª edição da Revista, só
então se proclamando como “Órgão dos Clubes Rotários Portugueses”, isto após
terem sido, entretanto publicados mais três Suplementos ao Boletim com tal
designação: em 1937, 1938 e 1939, este último na 4ª “Reunião Magna” que teve
lugar no Funchal de
Todavia, fora já em Abril desse ano que
surgira a Revista “PORTUGAL ROTÁRIO” legalizada, com a sua 1ª edição, isto
quando se andava nos preparativos das Comemorações do Duplo Centenário da
Fundação e da Restauração da Nacionalidade. Nessa altura veio, finalmente, a
autorização para o uso do título e em resultado da influência do Comissário
Geral dessas Comemorações, o Dr. Augusto de Castro, ao tempo Director do periódico
“Diário de Notícias” e membro do Rotary Club de Lisboa. Augusto de Castro foi
falar com o Chefe do Governo, Prof. Oliveira Salazar, de quem era amigo
pessoal, e logrou convencê-lo de que era idóneo e altruísta o trabalho
desenvolvido pelos Rotários. E Salazar interveio directa e pessoalmente no
desbloquear do problema.
A 1ª edição diz-se trimestral e dela não
há, porventura, nenhum exemplar disponível. Em Junho de 1940 saiu a 2ª edição,
sem publicidade e com 20 páginas. Os Rotários cotizavam-se para a Revista com
25$00 anuais, pagos em duas prestações semestrais.
Nesta primeira fase, “PORTUGAL ROTÁRIO”
veio a surgir sem grande regularidade: o nº. 3 saiu em Abril de 1941 e há
depois uma nova edição em Maio de 1944.
A Revista vivia da enorme dedicação do Compº.
José da Cruz Filipe. Mas, em 1945, ele viu-se injustamente envolvido num
processo que lhe fora cavilosamente movido pelo Ministério do Interior.
Vertical, como em tudo era, Cruz Filipe auto-suspendeu-se do seu Clube até que
o caso se esclarecesse. Quando, finalmente, foi inteiramente ilibado, ele
voltou a apresentar-se no Clube, mas não foi nele inequivoca e prontamente
aceite (como devia tê-lo sido), pelo que Cruz Filipe demitiu-se e a primeira
fase de “PORTUGAL ROTÁRIO” ficou por aqui.
2.ª Fase
O Compº. Domingos Ferreira, membro
do Rotary Club do Porto, veio a ser um dos Rotários mais inconformados com a
inexistência de uma publicação rotária digna desse nome,
É só em 1982 que, sendo Governador
do então Distrito 196, o Compº. Mário Luís Mendes (1981-82), membro do Rotary
Club de Coimbra, que a ideia duma revista rotária nacional volta a despertar.
Contudo, Mário Mendes resolveu montar um esquema através do qual, e após
sorteio, cada Rotary Clube de Portugal assumiria, mês-após-mês, a tarefa e os
encargos da edição de cada número, sendo que o número de páginas e o conteúdo
de cada edição ficavam ao livre alvedrio de cada clube responsável.
Este esquema não conferiu a
indispensável regularidade à Revista, nem a dotou duma estrutura responsável
que lhe mantivesse o ritmo editorial normal.
Nesta fase, que começou, justamente,
com a edição da responsabilidade do Rotary Club de Coimbra, saíram apenas mais
as edições da iniciativa dos Rotary Clubes de Figueira da Foz, Porto, Tomar e
de Vila Nova de Gaia, sendo esta a nº. 6?! (É que, no calendário que fora
estabelecido, houve Clubes que, devendo tê-lo feito, acabaram por não editar
número algum).
E ficou por aqui esta
nova iniciativa.
3.ª Fase
Em
1983-84 acontece a criação de mais um Distrito Rotário em Portugal: passam a
existir dois Distritos, o 196, cujo Governador foi o Compº. António Russel,
membro do Rotary Club de Lisboa-Norte, e o 197, que teve como primeiro
Governador o Compº. Nuno Argel de Melo, ao tempo membro do Rotary Club de S.
João da Madeira.
Este resolveu retomar o estandarte
do “PORTUGAL ROTÁRIO” e juntou à sua volta outros, designadamente o Compº.
Octávio Lixa Filgueiras, membro do Rotary Club de Castelo de Paiva e figura de
muito prestígio académico.
Cria, pois, uma pequena estrutura
responsável, e a primeira edição sai, com a concordância de ambos os
Governadores, em Viseu, quando nesta cidade se realiza a 1ª Conferência do novo
Distrito. É a edição referente a Abril/Maio de 1984, já que a Revista seria,
como ainda é hoje, bimestral. Era Editor Argel de Melo e seu Director Octávio
Filgueiras. As suas primeiras edições tinham apenas 32 páginas. Hoje a Revista
tem 40 páginas, incluindo páginas em quadricromia e páginas sem cores.
As suas sucessivas edições têm sido
publicadas com absoluta regularidade desde então, e, por decisão do Conselho
Director do Rotary International, “PORTUGAL ROTÁRIO” passou a ser
considerada como Revista Regional Oficial do Rotary a partir de 1 de Janeiro de
1987, estatuto que ainda hoje mantém e o Rotary reavalia de cinco em cinco anos
(como quanto a todas as Revistas assim classificadas).
Entretanto,
em 25 de Fevereiro de 1989, com a presença de significativo número de Rotários
de todo o País, foi outorgada em Fátima a escritura pública pela qual foi
instituída a Associação PORTUGAL ROTÁRIO, que viria a ser a proprietária do
título, como ainda hoje é, e se pauta por entidade responsável pela edição de
publicações rotárias, dentre estas a Revista.
Com o falecimento do primeiro Editor
de “PORTUGAL ROTÁRIO”, o Compº. Nuno Argel de Melo, em Dezembro de 1995, veio a
ser designado para tal função, pela Direcção da referida Associação, o Compº.
Artur Lopes Cardoso, membro do Rotary Club de Vila Nova de Gaia. Mais tarde
passou a acumular com o cargo de Director mercê do passamento do primeiro
Director, o Compº. Octávio Lixa Filgueiras.
“PORTUGAL ROTÁRIO” é o órgão rotário
oficial para todos os países e territórios de língua portuguesa, com excepção
do Brasil. Todas as suas edições são
remetidas a cada um dos Rotários dos Rotary Clubes de Portugal, assim como para
todos os Rotary Clubes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau (os de língua
portuguesa), Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Pertence à Rotary
World Magazine Press.
Fonte:
Portugal Rotário
© Rotary Club de Faro
– Distrito 1960
[i] - WIKIPÉDIA,
“Biografia
de Harold Pinter”, 2005 (consulta em 25 de Dezembro de 2008, pelas 19
horas e trinta minutos). Acedido em: http://pt.Wikipédia.org/wiki/Harold
Pinter.
[iii] - PINTER,
Harold, “Tortura e miséria em nome da liberdade” 2005, (consulta em 25
de Dezembro de 2008, pelas 21 horas). Acedido em: http://www.imediata.com.
[iv] - PINTER, Harold, “Discurso de
aceitação do Nobel da Literatura 2005, Arte, Verdade e Política”, “Várias
Vozes”, 2006, Edições quasi, pp.
[v]- PINTER,
Harold, “Discurso de aceitação do Prémio
de Poesia Wilfred Owen”, “Várias Vozes”, 2006, Edições quasi,
pp.
[vi] - PINTER, Harold, “Discurso
pronunciado na sessão de doutoramento na Universidade de Turim, Somos a doença”,
“Várias
Vozes”, 2006, Edições quasi, pp.
[vii] - CARVALHO,
Paulo Eduardo, “À conversa sobre os problemas que nos põe o teatro de Harold Pinter”,
2002, (consulta em 25 de Dezembro de 2008, pelas 23, 15 horas), acedido em http://pt.Wikipédia.org/wiki/Harold
Pinter.
[viii] -
MELO, Jorge Silva, “À conversa sobre os problemas que nos põe o teatro de
Harold Pinter” , 2002, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 10 horas),
acedido em http://pt.Wikipédia.org/wiki/Harold Pinter.
[ix] -
KUNG, Hans, “Projecto para uma Ética Mundial” Epistemologia e Sociedade,
Lisboa, Instituto Piaget, pp.
[x] - SCHECK, Denis, da rádio Deutschlandfunk, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”,
2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008, pelas 14 horas), acedido em www.dw-world.html.
[xi] - LÓFFLER, Sigrid, editora da revista “Literaturen”, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”, 2005, (consulta em 26 de
Dezembro de 2008, pelas 14,30 horas), acedido em www.dw-world.html.
[xii] - WILLE, Franz, redactor da revista “Theater heute”, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”, 2005, (consulta em 26 de Dezembro
de 2008, pelas 18,36 horas), acedido em www.dw-world.html.
[xiii] - RANICKI, Marcel Reich, entrevista a uma agência de
notícias alemã, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”, 2005, (consulta em 26 de Dezembro
de 2008, pelas 22,45 horas), acedido em www.dw-world.html.
[xiv] - JELINEK, Elfriede, Autora de teatro, Dramaturga,
Prémio Nobel da Literatura 2004, “Críticas
a Nobel para Harold Pinter”, 2005, (consulta em 26 de Dezembro de 2008,
pelas 23,10 horas), acedido em www.dw-world.html.
[xv] - ZADEK, Peter, irector teatral da Academia de Artes
de Berlim, “Críticas a Nobel para Harold Pinter”, 2005, (consulta em 27 de
Dezembro de 2008, pelas 09,25 horas), acedido em www.dw-world.html.
[xvi] - VALENTE, Augusto, “Críticas a Nobel para Harold
Pinter”, 2005, (consulta em 27 de Dezembro de 2008, pelas 11,18 horas),
acedido em www.dw-world.html.
SEVERINO CARREIRA
(Vice-Presidente)