
«O mais representativo Monumento da Cidade de Faro»
Palestra proferida no Rotary Club de Faro, na noite de 20 de
Abril de 1976, pelo Professor Pinheiro e Rosa
Há pouco mais de um mês, recebi um convite
de um membro deste respeitável clube, tão inesperado como honroso. Inesperado,
pois nunca me passara pela cabeça, agora, que
«Vão os anos descendo, e já do estio
há pouco que passar até o outono»,
fosse solicitada a minha voz sem ser
naqueles lugares onde a habituação já a tornou como o tiquetaque do relógio.
Honroso, porque, embora apresentado na taça da amizade, a que eu podia dizer:
amigo, deixa-me em paz! vinha em nome deste cenáculo, onde se sentam tantas
pessoas que respeito pelas suas posições, pela sua cultura e por outros
motivos, inclusive os de atenções recebidas. E aqui é que não podia recusar-me,
pois os meus 17 anos mais meio século não me justificavam a nega, tanto mais
que ando para aí sempre a dizer que «espiritualmente tenho trinta anos» …
De
que havia de falar? Responderam-me que do que quisesse. Que poderei dizer de
interesse para V. Exas., habituados a ouvir neste lugar assuntos tão
importantes, tão actuais e tão brilhantemente apresentados?
Já
um dia escrevi que a minha missão neste mundo se fixou na de «um homem que
estuda e ensina a estudar». Depois de ensinar a estudar peço conta aos meus
alunos do que lhes ensinei. A seguir ao meu estudo, dou conta a algum júri
imaginário do que estudei. O meu júri hoje são V. Exas. e prezo-me de tê-lo tão
selecto e antecipadamente benévolo.
O
assunto talvez não lhes desagrade, porque vou falar do «mais representativo
monumento renascentista da capital algarvia», como Haupt chamou ao Convento de
Nossa Senhora da Assunção, onde já funciona o Museu Arqueológico.
Utilizo
apontamentos coligidos durante vários anos e destinados à inauguração solene do
edifício restaurado. Como cada vez veio isso como um acontecimento mais remoto,
que a minha vida não conseguirá alcançar, emprego-os hoje muito gostosamente.
Farei
aqui passar história, vida claustral, legenda áurea, crónica escandalosa,
actuação política, vandalismos arqueológicos, ideias arrojadas e também
inexplicáveis inércias, que tudo isso constitui a crónica do venerando e
precioso convento.
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Reinava
Nas Alcaçarias, judeus, mouros e
cristãos faziam diariamente um comércio apreciável.
O
núcleo principal da povoação era sem dúvida a «Vila-a-Dentro», onde campeavam a
igreja paroquial de Santa Maria (da Ordem de Santiago) e as Casas da Câmara.
Abstraiamos dos actuais largos hoje nela existentes. Eram, nesse tempo,
apinhados de casinhas baixas e pobres. As mais opulentas deviam ocupar o sítio
das que hoje ladeiam os arruamentos. Não esquecer que por cima da porta de Rui
Barreto, lá estava a ermida da Senhora de Entre Ambalas águas, e, no lugar onde
se ergue hoje a Misericórdia, havia a ermida manuelina do Espírito Santo, cuja
verga da porta está no museu Arqueológico, e junto dessa ermida um pequeno
hospital.
Mas
outros núcleos povoados havia nos pontos mais altos e ruas a uni-los. A igreja
de S. Pedro, dos marítimos, já existia como capela curada e, em volta dela,
muitas casas, a ladear as hortas (a de S. Pedro e outras). Conduzindo para lá,
a Rua da Cadeia, a dos ferradores, a de S.Pedro, vindo a Direita, e outras que
mudaram de nome.
Nas
imediações do actual hospital, mais povoamento, em pontos de nível alto,
ladeando Ruas e travessas dos Fumeiros, do Rego, das Lojas ou Tendas, da Sapataria
e certamente já a de Santo António do Alto.
Na
região da Ribeira e da Ribeirinha, casas e armazéns a sublinhar o litoral. Em
frente, estaleiros para as embarcações do porto.
Nada
disto é documentado, mas deduz-se facilmente de dados tradicionais e de uma ou
outra a1usão que se encontra nos livros antigos.
Pastoreava a diocese algarbiense como bispo
de Silves D. Fernando Coutinho, que pouca relação pessoal teve com Faro.
Mandara visitá-la por Francisco Barradas, comendador de Mogarelos e Roriça, e
Mendo Afonso, Prior da igreja de Santa Maria de Setúbal, seus visitadores. E o
clero de Faro cifrava-se no Prior e Beneficiados da Colegiada de Santa Maria,
pois S. Pedro era simples ermida.
Governava
a vila como alcaide e capitão-mor, Rui Barreto, que também o era de Loulé,
coadjuvado pela gente da Câmara, vereadores e homens bons do Concelho.
Foi
neste ambiente que surgiu o Convento das Freiras. E começou bem simples antes
de ser bafejado pelas auras régias!
__________
Permitam-me
que lhes cite uma passagem da «Crónica Seráfica da Santa Província dos
Algarves», de FR. Jerónimo de Belém, arrancada por Honorato Santos a um
reservado da Biblioteca Nacional.
«Viviam
na cidade de Beja duas irmãs de igual virtude, chamadas, uma Leonor da
Trindade, e outra Maria das Chagas, órfãs de pai e mãe, e ambas filhas da Ordem
III Seráfica, às quais por morte dos pais ficaram abundantes meios de fortuna,
pelo que intentaram logo empregá-los em uma obra do serviço de Deus!»
Aqui temos como a ideia do nosso
melhor monumento foi nascer tão longe! O pensamento das duas irmãs foi a
fundação de um Mosteiro da I Regra de Santa Clara. Mas, antes de procurarem
realizá-lo, vestiram-se do penitente hábito da sua Ordem e foram em
peregrinação a São Tiago de Compostela.
De
volta a Portugal e chegadas a Lisboa, apresentaram-se à Rainha D. Leonor,
terceira mulher de D. Manuel, em quem acharam a protecção que desejavam.
«Puseram
– continua a crónica – na presença da Rainha os seus fervorosos desejos de
fundar um Mosteiro… esperando que a Rainha as ajudasse, como fez,
oferecendo-lhes a cidade de Faro, que então era vila do seu padroado, para
fundarem o Mosteiro; e prometendo-lhes protecção as despediu com uma generosa esmola para o dito efeito.»
Voltaram
a Beja as duas irmãs, venderam os bens que ali tinham, e, em 1519, chegaram a
Faro, onde o povo as recebeu muito bem.»
Esta
nova passagem da crónica dá-nos a ideia dos recursos que houve para a
construção de uma obra cuja importância ainda se nos patenteia pelo que dela resta:
os bens (abundantes) das fundadoras, a esmola (generosa) da Rainha e o concurso
do povo de Faro, que sabemos, naquele tempo, não regateavam para essas coisas,
apesar da sua pobreza. Além de outras contribuições que adiante se verão.
Para
a fundação foi designado o sítio do Castelo – dentro dos muros – «para a
fábrica da igreja e Mosteiro» – diz a crónica).
O
que haveria anteriormente no chão hoje ocupado pelo convento e sua cerca?
Provavelmente algumas casinhas e quintais, algum pedaço de cerca pertencente ao
Castelo e, certamente, qualquer torre, de serventia que ignoramos, mas cuja
presença está lá marcada por uma porta ogival no rés-do-chão e por outra do
mesmo gosto no 1.º andar, dando acesso à escada de caracol, também anterior ao
edifício actual. Essa torre é que deve ter dado origem ao mirante «grelhado» a
sobressair dos telhados da ala poente.
Deu-se, logo nesse ano, princípio à obra,
como também testemunha outro cronista da época, Fr. Fernando da Soledade, na sua
Histórica Seráfica cronológica da Ordem de S. Francisco, lida em 1922 pelo
Cónego Lorena.
O
lançamento da primeira pedra foi solene, aparecendo o alcaide e capitão-mor Rui
Barreto a abrir com suas próprias mãos os alicerces, não ficando atrás de sua mulher,
D. Branca de Vilhena, que, pela mesma altura, andava construindo o convento de
Santo António (hoje quartel) na sua herdade que chegava da orla do mar até ao
sítio da Trindade. O concurso do povo foi enorme, em pessoas e esmolas, e a
acção da Rainha manifestou-se, mandando «os melhores arquitectos e oficiais
mais peritos, para que tudo se fizesse à medida da sua grandeza».
Quem
seriam estes arquitectos e oficiais?
Não
esqueçamos que a obra começou em pleno domínio do manuelino. A igreja foi desse
estilo, como se vê da janela do seu corpo, do pequeno arco do que julgo ter
sido confessionário e do óculo do coro alto. O primeiro plano deve ter sido
feito no estilo corrente. A interrupção das obras deu como resultado a sua
prossecução no estilo renascença.
De
modo que, estes primeiros arquitectos e oficiais devem ser procurados ainda
entre os mestres do manuelino empregados no serviço de D. Manuel, que seria
desses que D. Leonor teria lançado mão.
Ora
para o rei trabalhavam, em diversos pontos do país, nos princípios o século
XVI, João de Castilho, João, Miguel, António, Francisco e Diogo e Arruda,
Boitaca, Pêro e Filipe Anriques, Marcos Pires e André Pires.
Teriam
alguns destes relação com o nosso monumento?
Sabemos
pelo Dr. Reinaldo dos Santos, na sua obra fundamental – Oito Séculos de
História de Arte – que Diogo e Francisco de Arruda foram os principais mestres
das obras do Alentejo. Por extensão e proximidade teriam sido destacados para
as do Algarve?
Decerto
não lhes passou despercebida uma nota – que estes mestres de pedraria se
agrupam por famílias (pais, filhos e irmãos), que, por vezes, se encarregam
colectivamente das obras ou se sucedem nelas.
Corno
possuímos uma informação, na G. E. P. B., embora não se dignem dizer-nos com
que fundamento, de que Afonso Pires foi «o mestre das obras do convento de N.
Sra. da Assunção de Faro, mandado construir em 1543 pela Rainha D. Catarina,
mulher de D. João III»,somos logo tentados a inclinar-nos para a hipótese da
família, escolhendo daqueles arquitectos ou mestres do manuelino os dois Pires
lá incluídos – Marcos e André. Teriam sido esses que a Rainha D. Leonor mandou.
Pouco
durou essa fase da obra. Escassos quatro anos. Começou-se pela igreja que ficou
«imperfeita» e por um dormitório, que ficou «mal acabado». D. Manuel morrera em
1521. Dois anos se passaram nas hesitações sobre o casamento de D. Leonor com o
enteado, que, no dizer de Fr. Luís de Sousa, «não acabava com sua honestidade
aver de tratar amores, inda que santos e castos, com a mulher que o fora de seu
pai». Neste tempo, ainda havia tais delicadezas, embora, em contrapartida,
houvesse, na mesma família, quem roubasse ao filho a mulher que lhe era
destinada… Sempre admirei neste D.
João III o recusar comer em segunda mão a iguaria que lhe furtaram em primeira!
E foi esta uma das «;partidinhas» que me enjoaram no Rei Venturoso…
Em
1523, D: Leonor retirou-se definitivamente para Castela, quando o rei já tinha
pedido em casamento a outra irmã de Carlos V, D. Catarina, com quem veio a
casar por procuração em 1524 e por palavras de presente em 1525.
A
obra do convento parara por completo. Ouçamos de novo a crónica: «Lamentaram as
duas fundadoras a sua infelicidade, porque com a ausência da Rainha e a falta
de outros benfeitores perdiam a esperança de ver completos seus desejos». Mas
chegou ao conhecimento de D. Catarina… a grande desconsolação em que viviam as
duas virtuosas irmãs… e informada dos seus exemplares procederes e da grande
utilidade desta fundação, tomou por sua conta o continuá-la… e empenhou todo o
seu poder para que debaixo da sua protecção se concluísse».
Isto
devia ter sido aí por 1527. Acabou-se a igreja com sua cúpula, relevada e
afrescada ainda desse tempo, e construiu-se o claustro, rodeado, em baixo, da
sala do capítulo, do refeitório e cozinha, locutório com a grade, de que ainda
resta um pedaço, e algumas dependências secundárias. As dependências do andar
superior começaram pela ‘ata poente (dormitório e salas de trabalho
consecutivas ao coro alto); e, posteriormente, o dormitório da ala sul (1545) e
as outras dependências das alas nascente e norte que hoje não identificamos com
o que teriam sido, desfiguradas como foram por muitos acidentes sofridos pelo
edifício.
Em
1539, foi colocado o pórtico, de belo lavor escultural, tendo pilastras
coríntias sob a cornija e o brasão com um camaroeiro. Este não tem nada com a
primeira fundadora, porque não faz parte das armas desta mas da outra D.
Leonor, mulher de D. João II (recordando a trágica morte de seu filho). A presença
destas armas ou diz respeito às freiras do Mosteiro da Madre de Deus, de onde
vieram as primeiras para este convento, ou «à gratidão régia pelas rendas que
as rainhas recebiam da pesca do Algarve, homenagem indirecta à nossa província
e ao esforço nobilíssimo dos pescadores algarvios».
Os
lavores do pórtico são tão belos, que, em tempo, foram copiados em gesso para
servirem de modelos de desenho na Escola Industrial e julgo que ainda por lá
andam.
O
claustro é, sem contestação, a parte mais bela de todo o edifício. É do tipo
chamado coimbrão de 1540, do Carmo e de São Tomás, de Coimbra, e da Penha
Longa, de Sintra. Também é parecidíssimo com o do convento da Saudação, de
Montemor-o-Novo (séc. XVII) que tem as arcadas de volta redonda no rés-do-chão
e direitas sobre colunas, no piso superior. Mas esse não tem as carrancas, as
gárgulas e outros lavores, que ornam o nosso. Este tem dois andares, o superior
de arquitrave horizontal e capitéis jónicos, o inferior de arcaria de volta
inteira e capitéis da ordem dórica. Todo ladeado de botaréus encimados de
gárgulas a separar tramos de dois arcos. As gárgulas, animalistas, são todas
diferentes. Está nelas mesmo a originalidade deste claustro bastante semelhante
ao de Penha Longa, pelos gigantes reforçados e de molduras bastante salientes.
Graciosas e de delicado relevo algumas das portas do andar superior.
Podemos
muito bem aceitar para estas obras a autoria de Afonso Pires, talvez filho dum
dos outros Pires que cá andaram ao princípio, e coadjuvado por Diogo Pires,
possivelmente seu irmão, que, em 1561, ainda trabalhava em Faro «nas obras que
a rainha D. Catarina, avó de D. Sebastião aqui trazia» e a quem, em Agosto
desse ano, foi passada uma carta de privilegio autorizando-o a «que paste nos
baldios da cidade seis bois que trazia empregados nas mesmas obras».
Deixemos
outra vez falar Fr. Jerónimo: «Pronta toda a fábrica com grandes despesas, a
Rainha cuidou logo em formalizar o seu Mosteiro com Mestras que ensinassem e
instruíssem as suas primeiras plantas na vida religiosa e santos costumes da
Ordem de Santa Clara! Para esse fim conseguiu do reverendíssimo Fr. João Calvo,
ministro geral , de toda a Ordem Seráfica, que naquele tempo se achava neste
reino, viesse tomar posse do Mosteiro da Assunção em Faro e lhe desse
fundadoras da Madre de Deus de Lisboa. E o Provincial, que então era desta
Província, Frei Francisco Quaresma, nomeou oito religiosas segundo a insinuação
da Rainha, as quais foram: a Madre Sóror Brites da Assunção, por Abadessa; as
madres Sóror Helena da Conceição; Sóror Paula da Madre de Deus; Sóror Cecília
da Cruz; . Sóror Catarina do Espírito Santo; Sóror Jerónima do Menino Jesus;
Sóror Clara da Conceição; e Sóror Antónia da Visitação.
Muito
gostosa ficou a devota Rainha com esta escolha e nomeação de religiosas dotadas
de virtudes e prudência para semelhante empresa; e ao mesmo tempo que
solicitava a conclusão do Mosteiro para a entrada das Veneráveis Fundadoras, a
toco o custo dispôs também a sua jornada para Faro».
Já
em 1540, D. João III tinha elevado a povoação à categoria de cidade. Já Paulo
III tinha publicado a sua Bula transferindo a Sé, de Silves para aqui, embora
tal transferência não se executasse senão daí a anos.
Era
uma terra, como diz Baptista Lopes, «lavada pelas águas do Oceano, que todas as
marés banhavam seus muros, e davam entrada a embarcações de alto bordo, ia
crescendo em comércio, com o qual havia aumentado a população, que não estava
sujeita a moléstias malignas e periódicas», portanto cidade sadia.
Em
1541, «concluído o principal do edifício», nota Fr. Jerónimo, o que comprova
que as obras ainda se prolongavam, cuidou a Rainha na jornada das freiras com
decência e grandeza condignas à estima que tinha pelo Mosteiro da Madre de
Deus, donde as freiras saíam. Para lhes evitar os incómodos de uma tão grande
jornada por terra (os senhores sabem que, ainda nos fins do século XIX, por
terra levava-se oito dias a chegar a Lisboa!...), mandou preparar um navio para
esse transporte.
No
dia determinado, saiu a Rainha do palácio acompanhada dos Grandes da Corte,
Provincial da Província, Eclesiásticos, Religiosos e imenso povo, em bem
ordenada procissão dirigida ao Mosteiro da Madre de Deus e ali esperaram a
saída das religiosas. E solenemente foram conduzidas a bordo.
Mas
não era vontade divina – diz o cronista – que fizessem a viagem por mar. Apenas
o navio deu de vela, levantou-se uma grande tempestade que as fez voltar a
terra e a Rainha, para as livrar de maiores sustos as mandou por terra, na
companhia do Ministro Provincial – um Frei Cristóvão, Bispo de Anel, e outros
muitos religiosos da Província.
Chegaram
a Faro, em véspera de Todos-os-Santos desse ano de 1541, sendo recebidas pelo
Clero, Senado e Nobreza e grande concurso de povo da terra e dos arredores, que
as acolheram com muitos vivas e palmas, e em solene procissão foram conduzidas
ao Mosteiro novo.
É
claro que quem mais rejubilou foram as duas irmãs fundadoras, que, depois de
quase 23 anos, viam satisfeitos os seus votos.
Embora
as obras fossem continuando, a vida do convento organizou-se segundo as normas
da Regra. Possuímos no Museu o exemplar escrito em pergaminho com letra gótica
autenticamente do século XVI, com simples mas graciosas iluminuras, pela
desconhecida Soror Inês d’Assunção, que não foi nenhuma das oito primeiras. E
fica-se impregnado dum estranho eflúvio de outrora através daquela presença
quinhentista, que parece acabadinha de executar, e lendo aquele capítulo onde
se trata da maneira de «falar à grade do parlatório».
D.
João III quis confiar a direcção espiritual desta Casa aos franciscanos da
Província da Piedade, que ocupavam de pouco tempo o convento de Santo António,
onde hoje está instalado o quartel. Opuseram-se os religiosos tenazmente por
isso ir de encontro ao seu instituto, e com tanta força que largaram o Convento
e foram para Portimão tomar posse do dos Menores Observantes, vindo estes para
Faro e ficando com o que aqueles deixaram.
E vem aqui a propósito desfazer a balela das
ligações subterrâneas entre o convento dos frades e o das freiras. Basta
pensar-se que o largo de S. Francisco era ainda então ria, banhada pelas águas
em cada maré, para ver a inépcia dessas atoardas! Façamos justiça de concordar
que as «fraquezas», se é que as houve, eram mais «humanas» e menos… toupeirais!
As
religiosas cultivavam a sua cerca e viviam de esmolas. D. Catarina deixou-lhes
em testamento duzentos cruzados e em codicilo mais dois mil.
El-rei
D. Sebastião concedeu em 1560 um alvará para que fosse dada às freiras toda a
pedra, cal e tijolo e quaisquer outros materiais .para as obras do convento, e
assim pedreiros, carpinteiros, oficiais e servidores, obrigando-os com penas a
servirem nas ditas obras.
Mais
tarde, o Cardeal D. Henrique ordenou fossem dados a este convento cada ano
vinte moios de trigo; seis de favas; três de centeio; trinta alqueires de grão;
dez de lentilhas; uma pipa de azeite; duas jarras de mel; um fardo de arroz;
cinquenta varas de bretanha; cem varas de canhamaço e eu tudo isto se desse na Alfândega
de Faro. Além disso, mandou dar-lhes 100$000 para seu vestuário e mais 300$000
para outros gastos de forma que lhes fossem dados 25$000 réis em cada mês.
D.
Filipe I confirmou as mercês feitas pelo Cardeal Rei mudando somente os
pagamentos da Alfândega para os Direitos do Pescado. O mesmo em 1586 fez esmola
ao Mosteiro de duas dúzias de atuns; dez dúzias de pescadas secas; vinte
milheiros de sardinhas e quatro moios de sal em cada ano.
Não
viveriam muito mal, principalmente se atendermos a que eram freiras e deviam
ter restrições alimentares penitenciais!...
Parece
que, quanto a água potável, não estavam bem. Diz o cronista, que no verão se
secavam os poços da clausura e a água trazida de fora era-o à custa de muito
trabalho. Isto embaraçava os seus espirituais exercícios.
Vinte
e três anos gastaram em vistorias pelos mais experimentados vedores mas sem
fruto. Voltaram-se então para o divino e, no dia 23 de Abril de 1564, dia de S.
Jorge, defensor de Portugal, uma noviça foi tirar água a um poço que estava
dentro duma casa do mosteiro e, estando cheia de sede, quis molhar os lábios
com a água do balde mas receou por esta ser muito salobra. Porém escorregando
caiu sobre o balde e entrou-lhe na boca água, que já não era salobra! Chamou
toda a comunidade para que a provasse.
O
poço que conheci no claustro tinha ultimamente água bastante salobra, mas, no
tempo dos meus avós, as mulheres das redondezas iam lá à água. Seria ainda da
milagrosa?
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A
casa possuía preciosidades. Entre outras relíquias com que a Rainha D. Catarina
a enriqueceu, figurava a cabeça de Santa Alburiana, virgem e mártir, filha do
rei da Hungria, relíquia esta que veio do convento de S. Jorge da cidade e
província de Salzburg por mandado do Papa Clemente VII e ordem do Imperador
Fernando. Havia mais relíquias, algumas das quais me parecem fabulosas e
ridículas, como «parte do coração de S. Francisco» (ainda não existia o Dr.
Barnard!); duas cabeças das Onze Mil Virgens; parte do escabelo
Na
sala do Capítulo, onde hoje está a secção lapidar do Museu, havia um magnífico
Cristo, oferta de D. Catarina, que deve ter sido destruído pelo terramoto.
No
coro alto, que era «espaçoso e de ponto levantado {tecto em masseira) guarnecido
de primorosas pinturas», além de um Menino Jesus, de grande estima e devoção,
«havia uma imagem da Senhora da Graça» que foi instrumento dum dos factos da
legenda áurea do Convento.
1565
foi para o mosteiro ano de graça, pois a Rainha conseguiu de Pio IV uma Bula
concedendo um jubileu pleníssimo para se lucrar visitando a igreja do mesmo no
dia 15 de Agosto e no dia da Invenção a Santa Cruz, 3 de Maio, mostrando-se
naquele a cabeça de Santa Alburiana e neste uma cópia do Santo Sudário que a
Rainha mandou guardar nesta casa.
Em
1567, obteve D. Catarina do Papa S. Pio V outra Bula, esta fixando em 30 o
número de religiosas do Convento.
_____________________________
Antes
de passarmos a sucessos menos felizes, será ocasião de enumerar algumas pessoas
de distinção que receberam o hábito neste mosteiro, constantes da mesma crónica
que tenho seguido: Sóror Isabel dos Anjos, da cidade de Toledo; Sóror Jerónima
da Cruz, natural de Coimbra; Sóror Alburiana da Madre de Deus e Sóror Germana
da Anunciação, de Bragança; Sóror Mariana da Coluna, de Tomar; Sóror Margarida
de Jesus, de Santarém; Sóror Eugénia de S. Francisco, natural de Arzila; Sóror
Ana de S. Francisco, de Elvas; Sóror Maria da Paixão, da Torre de Moncorvo;
Sóror Maria da Encarnação, filha do Visconde de Ponte de Lima; Sóror Helena da
Trindade, das principais famílias de Faro, senhora que depois de viúva deixou o
mundo e seus interesses, legando ao Mosteiro a esmola de dois mil cruzados;
Sóror Serafina de S. Mateus, prima do Marquês de Barca-Rota e da Marquesa de
Aiamonte; Sóror Violante Bargua, que depois se chamou D. Violante de Meneses.
(Dá a impressão de que esta «roeu a corda sagrada» e voltou ao mundo, o que
hoje aceitamos bem, mas, naquele tempo, devia ser intolerável!)
«E
por último remate de todas – exalta fr. Jerónimo – a Madre Sóror Arcângela de
S. Miguel, filha de S. Francisco de Borja, crédito da Companhia de Jesus, antes
duque de Gândia e hoje protector do Reino contra os terramotos» …
O
pior é que me parece que Fr. Jerónimo, neste ponto, foi tomado de alucinação e
inventou… Há poucos meses li a vida de S. Francisco de Borja escrita pelo seu
contemporâneo Ribadeneyra e… das três filhas que o santo teve não encontro
nenhuma disponível para ser esta Sóror Arcângela. D. Isabel foi Condessa de
Lerma; D. Joana casou com o marquês de Alcañices; e Sóror Dorotea acabou monja
descalça
Seria
muito honroso para o nosso convento ter tido aqui uma filha de tão santa e
famosa personagem. Mas, em presença dos documentos, só poderemos dizer: Ah!
maroto fr. Jerónimol Ah! Fr. Jerónimo maroto!
Em
1577, é mudada de facto a Sé para Faro, passando o Bispo D. Jerónimo a residir
nesta cidade e instalando-se o Cabido na igreja de Santa Maria tornada
catedral. O convento e sua igreja passaram a ser objecto das atenções desta
nova e importante corporação citadina. As procissões entravam sempre na igreja
do Mosteiro para que as enclausuradas as pudessem ver.
De
resto, a abadessa tinha certos privilégios: usar báculo (deste, que era – curto
e grosso, se fez, em 1911, um báculo desmontável para os prelados levarem às
visitas pastorais) e caminhar debaixo de palio (conheci na Sé as sanefas de
tecido oriental pertencentes ao palio da abadessa do convento).
Nesse
mesmo ano, D. Sebastião andou por todo o Algarve, tendo estado também em Faro.
É natural que no convento da Assunção estivessem amigas ou protegidas de sua
Real Avó, o que torna absolutamente verosímil a visita do jovem soberano àquela
casa.
Ouçamos
de novo o cronista e… apuremos a nossa credulidade…
«Um
dia El-Rei D. Sebastião foi levado pelas freiras ao coro, à parte da Epístola,
e apenas chegou à presença da imagem da Senhora da Graça, reparou que a santa
descera os braços, com grande admiração do rei e das religiosas; e, quando o
mesmo Monarca partiu para a Africa, a Abadessa do Mosteiro tomou muito a seu
cuidado o deprecar a Deus o seu bom sucesso diante da aludida imagem,
encomendando às religiosas a mesma empresa, e ela, Abadessa, nas mãos da
Senhora pôs um memorial dirigido a este fim. Em dia de S. Domingos, 4 de Agosto
de 1578, que foi o dia da destruição portuguesa em Africa, indo a Madre
Arcângela vestir, como costumava, o simulacro soberano, caiu a mão da Senhora
em que estava a súplica, ficando o lugar donde se separara, cortado, como se
fora feito ao golpe de uma serra! A imagem era de pedra e sem falha alguma,
como muitas vezes a tinham observado.
Atribuíram
logo as freiras o caso a ter-se dado alguma infelicidade grande, chegando
depois a notícia da perda do Rei D. Sebastião com todo o seu exército no campo
de Alcácer!»
Já
o descer dos braços da imagem na presença do soberano fora o Céu a
manifestar-se da mesma opinião do Bispo D. Jerónimo Osório, na célebre carta
que anda impressa, em que procurou dissuadir o monarca da sua empresa à África.
Mas D. Sebastião foi surdo a tudo e o bispo até achou prudente fazer uma
viagenzinha a Roma, porque os senhores reis eram muito católicos, mas, quando
os contrariavam, tornavam-se como qualquer leninezinho avant la lettre!
1596
foi fatídico para a cidade de Faro e para o convento da Assunção. Era a época
em que os ingleses pirateavam desavergonhadamente pelos mares da Europa, com
conhecimento e proveito da Rainha Isabel. Desde que o Rei de Espanha começou a
reinar em Portugal, a Inglaterra considerou-nos seus inimigos e tratou de
atacar não só os nossos barcos, como também as nossas costas. Em 15 de Julho de
1596, o Conde de Essex desembarcou em Faro com os seus homens, pilharam o que
encontraram de bom e incendiaram os principais edifícios, nomeadamente as
igrejas. Não escapou o mosteiro, que «ficou quase todo reduzido a cinzas com a
perda do cartório e grave incómodo das religiosas que, transidas de medo,
fugiram descalças e mal vestidas para o interior da serra do Algarve, indo
refugiar-se na capela de S. Miguel, no serro do mesmo nome».
Estamos
a ver a horrível cena. A pequena cidade, que tinha a defendê-la meia dúzia de
artilheiros com duas ou três peças desmanteladas no castelo, ameaçada pelos
barcos dos piratas, que avançavam pelos canais da ria, toma-se de pânico,
entrouxa o que pode e foge. O grosso da população segue o bispo, que era já D.
Fernando Martins Mascarenhas, e vai refugiar-se
Além
de um poeta irlandês, que é rei da Redonda, nas Antilhas, me ter mandado, há
oito anos, por um emissário expresso, o primeiro exemplar dum dos seus livros,
como protesto e reparação contra o roubo dos ingleses em 1596! É sempre tempo!
Voltando
às freiras. Algumas em consequência do abalo sofrido morreram pouco depois. No
mosteiro, ficara uma religiosa já anciã ao cuidado duma mulher também de
bastante idade; os ingleses, que, antes de lançarem fogo ao edifício, o
devassaram, a fim de se assenhorearem dos objectos de valor, vendo-as, tiveram
comiseração e levaram-nas para a horta, a fim de não serem carbonizadas. Aí morreu
a religiosa. Salvou-se um quarto do convento, que serviu, diz Fr. Soledade, de
abrigo às religiosas quando voltaram da sua peregrinação forçada.
___________________
O
século XVII foi para o mosteiro uma época de serenidade, como o deve ter sido para
toda a cidade, conformada com o domínio espanhol, até que, sacudido este,
aderiu de boa vontade à revolução de 1640, depois de ter riscado acórdãos
comprometedores nos livros capitulares e rasgado documentos nos arquivos
públicos. Apagados esses pecados veniais de colaboracionismo, a vida voltava a
ser patrioticamente nacionalista e pacata.
No
século XVIII, continuaria a mesma serenidade e pacatez e até prosperidade e
certa grandeza, se… a terra não tivesse tremido. Julgo que o terramoto de 1722
afectou o convento, pois a porta que dá acesso à escadaria do andar superior
tem a data de 1727. Mas quando ele sofreu imenso foi no de 1755. Na derrocada,
morreram três freiras moças e virtuosas e em grande perigo esteve outra que com
muito custo foi tirada das ruínas. No próprio dia da catástrofe, 1 de Novembro,
o então bispo do A1garve, D. Fr. Lourenço de Santa Maria, segundo conta o autor
da História de Varatojo, fez recolher debaixo de cruz as Religiosas a umas
casas decentes e lhes mandou assistir com todo o necessário para viverem com
regularidade e recolhimento possível… Estas casas ficavam ao princípio da
estrada, que desta cidade vai ter a Loulé, na horta que ainda se chama Horta
das Freiras.
Os
estragos do terramoto foram vastos: o corpo da igreja ruiu todo e com ele o
coro. Toda a ala nascente e grande parte da poente ficaram também arruinadas.
Parece que a ala sul - a última a ser construída – resistiu, assim como o
claustro. Os azulejos, tanto os do século XVII como os do XVIII (o refeitório
era todo revestido deles) resistiram até ao encerramento do convento, em que,
grandes e pequenos, se fartaram com eles…
Tudo
se foi reconstruindo, mas nos moldes de pobreza que as circunstâncias permitiram.
Ainda assim, na abóbada do corpo da igreja, foi pintado um grande escudo
português, que chegou aos nossos dias, embora muito enegrecido. O restauro não
o refez.
«Reparado
o convento, diz-nos Baptista Lopes, voltaram a ele as suas antigas donas» e lá
foram fazendo a sua vida normal de religiosas com as suas renúncias divinas mas
também com as suas fraquezas humanas. As Actas das Visitações ao Mosteiro são
muito elucidativas. Numa delas diz-se que constou que, no quarto da oração e
disciplina, não assistiam todas as religiosas e, no mesmo tempo, andavam pelo
mosteiro conversando. O visitador ordenava que, quando se fizesse sinal para o
quarto de oração e disciplina, acudissem todas as religiosas sem excepção
alguma, a cujos actos não poderiam faltar senão por causa de enfermidade.
Também
as porteiras não observavam as normas sobre a abertura da porta do convento,
que o visitador recordava.
Mandava-se
que nenhuma religiosa falasse nem chegasse à grade ou torno, sem expressa
licença da Madre Abadessa, e, tendo licença, não se demorasse neles mais tempo
do que lhe fosse necessário.
Algumas
religiosas repugnavam servir os ofícios para os quais as elegiam as preladas;
mandava-se que nenhuma se pudesse negar a tais ofícios.
Havia
muitas discórdias a respeito de quem havia de levantar os foles nas ocasiões em
que se devia tocar o órgão; mandava-se que na tábua semanal dos ofícios se
nomeasse uma noviça e faltando estas se seguisse a mais moça no hábito.
Ordenava-se
ainda que, Quando houvesse obras no Convento e entrassem homens noutro qualquer
serviço, de nenhuma sorte se lhes desse de comer dentro da clausura, como
estava proibido pelas constituições gerais de todas as religiosas; e se
quisessem fazer alguma dádiva aos ditos oficiais os mandariam sair para fora do
Convento às horas de comer.
Como
se vê, as pequenas misérias da vida de mulheres em comunidade e as precauções
contra o velho prolóquio: «mulier ignis, vir stuppa, diabolica flabellum» –
tudo a mostrar-nos que eram seres humanos que habitavam esta casa.
__________________
E, apesar de todas estas precauções, parece
que não deixou Cupido de introduzir-se ali e tentar as suas empresas.
Avancemos ao tempo de D. Francisco Gomes –
últimos anos do século XVIII e princípios do XIX. É agora Ataíde Oliveira que
nos informa.
Corria
o ano de 1796. Em uma noite, a hora adiantada, e quando o prelado estava a
terminar as suas orações, ouviu bater rijo à porta do seu palácio. Desceu a
abrir, pois a força com que alguém batia significava urgência.
Aberta
a porta, caiu de joelhos aos pés do prelado uma freira nova e formosa. As suas
lágrimas traduziam profundo arrependimento ou dor extrema. Entre as suas
palavras, interrompidas pelos soluços, percebeu o prelado que a freira tivera
um namorado, que este a convencera a fugir de convento nessa noite, e que ela,
iludida, fugira efectivamente, mas já não encontrara quem a iludira. Conhecera
então que fora enganada e pedia ao prelado salvasse a sua honra sem perda do
seu crédito.
Ficou
o santo bispo surpreendido com esta confissão e vendo que era profundo o seu
arrependimento, apenas respondeu:
-
Espere-me aqui: subo e volto logo.
Momentos
depois voltava o prelado com a batina, capa e barrete de um dos seus fâmulos.
-
Vista por cima do hábito esta batina, ponha a capa e o barrete e acompanhe-me,
ordenou.
A
freira assim fez e acompanhou-o, dirigindo-se ambos para o convento. O bispo
bateu rijo à portaria e de dentro perguntaram quem batia.
-
O bispo do Algarve, respondeu, na sua voz seca e áspera, quando queria ser
obedecido.
Dentro
ambos do convento, ordenou o prelado que fosse chamada a abadessa. Logo que
esta apareceu estremunhada, disse-lhe:
-
Faça reunir na sala do capítulo todas as freiras deste convento.
A
abadessa foi dar as ordens. Entretanto o prelado com o seu fâmulo passeava pelo
claustro. Em certo lugar, o fâmulo entrou numa cela e o prelado ficou só.
Momentos
depois, o som da campainha chamava as freiras à sala o capítulo e a abadessa
aproximava-se respeitosamente do prelado, dizendo que estavam todas as freiras
reunidas. O bispo dirigiu-se para lá e na presença de todas disse:
-
Tive uma denúncia em que fui informado de que uma freira fugira esta noite
deste convento. Faça a madre abadessa a chamada de cada uma.
Feita
a chamada, todas responderam. Então o prelado fez uma veemente alocução,
recomendando a exacta observância dos Estatutos e ordenando às superioras
vigilância e extrema caridade.
E
saiu do convento sem que ninguém tivesse tempo de reparar que o prelado entrara
acompanhado do seu fâmulo e saíra só.
Este
acto, contado por Ataíde Oliveira, tem de tal maneira as características de D.
Francisco Gomes, que nada repugna acreditá-lo. Mas… alguém divagava pelo Largo,
quando o prelado saiu do convento e esse alguém, diz Ataíde, «era o maior dos
seus inimigos».
Pus-me
a investigar quem ele fosse e descobri, por várias referências, o nome de um
Cónego Valinho, verdadeira ovelha ranhosa do Cabido, e que D. Francisco se vira
obrigado a castigar. No dia seguinte, circulava pela cidade que o prelado
corria amores com uma freira. Em breves dias, chegou esta calúnia ao
conhecimento do Príncipe Regente e o prelado era chamado a Lisboa, onde provou
a sua inocência.
Mais
um exemplo de que, às vezes, as nossas melhores acções podem trazer-nos sérios
dissabores!
_________________________
As
perturbações provenientes das invasões francesas não chegaram até ao convento e
as freiras ali se foram mantendo até ao advento do regime liberal, na situação
de decadência em que se encontravam, por todo o país, as ordens religiosas, sem
que ninguém tivesse tentado uma reforma enérgica e profunda.
O
decreto de 9 de Agosto de 1833 mandava suprimir as Casas Religiosas em que
houvesse menos de 12 conventuais. Estavam neste caso os conventos de Lagos e de
Loulé, cujas religiosas foram mandadas reunir-se às de Faro. Mas, sendo ainda
diminutas as rendas para aqui se manterem, ordenou o Governo em 1836 que ali se
reunissem também as do Convento de S. Bernardo de Tavira com os seus rendimentos.
Quando o Governador do Bispado estava procedendo às diligências para efectuar
esta mudança, baixou nova portaria (era uma época de mudança frequente de
«ventos», como outras que conhecemos…) para que a reunião de todas se fizesse
no convento de Tavira por ser mais espaçoso.
Lá
foram as pobres religiosas para Tavira, abandonando a casa onde pensavam
morrer. E isto depois de, em
____________________
Após
a saída das freiras, começou aquilo a que se pode chamar a «paixão e morte» do
Convento.
Tomou
posse dele o Estado. Sabemos perfeitamente o que isto significa. Enquanto não
aparecia o «afilhado» a quem se desse aquela «fatia» do «pão daquele compadre»,
o edifício ficou abandonado. A certa altura, (contavam-me pessoa de setenta
anos, quando eu tinha quinze) a porta estava só «fechada com um araminho» e as
mulheres do povo das redondezas «iam lá à água». Existia lá um poço, ao meio do
claustro, que era melhor ter-se conservado, se se pensava substituí-lo pelo
reles e desgracioso tanque, congeminado e executado não pelos autores do
restauro mas por um sonso dum amigo meu, que, não obstante as minhas
objurgatórias, nunca se desmanchou… E eu só o soube após ele se ter safado!...
Depois,
não só elas mas pessoas, que não eram povo, começaram também a carregar os
azulejos que ornavam o claustro, a igreja e, pelo menos, o refeitório. A gente
tem encontrado por aí alguns – na horta contígua ao convento e em colecções
particulares. Outros teriam ido para longe…
Em
1860, o assentista José Maria de Carvalho e Teodoro José Tavares compraram o
edifício por 1.200$000 réis. A compra foi um pouco confusa, pois, após a morte
do segundo, a viúva, que quis vender a sua metade a um José Francisco Cabrita,
seu genro, dizia que não se tinha procedido ainda à demarcação por dificuldades
apresentadas pelo José Maria de Carvalho e por isso ela não sabia qua1 a parte
que lhe pertencia e não tinha título que provasse pertencer-lhe, mas reconhecia
que J. Maria de Carvalho era bastante cavalheiro para não negar tal compra de
sociedade com seu falecido marido, pois pela metade indiscriminada do convento
seu marido dera umas terras no sítio da Arábia, freguesia de S. Pedra desta
cidade. E, se o José Maria de Carvalho não quisesse demarcar a metade do
convento, reconhecesse ao Cabrita o direito de ficar, por 300$000 réis, com as
ditas terras da Arábia.
Isto
consta de um documento feito pelo tabelião Ludovice. E parece que o assunto
ficou arrumado pois foi só ele, Carvalho, que, com sua Esposa, D. Maria Romana
de Macedo Ortigão Carvalho, vendeu o convento «que foi das freiras desta cidade
com a competente igreja e todos os seus pertences, com cerca, com porta de
carro, ramada, palheiro, etc. a Samuel Amram, proprietário e negociante, por
2.000$000 réis».
Samuel
Amram montou nele uma fábrica de «rolhas e preparação de cortiça em prancha»,
como durante muitos anos se leu em letras pretas sobre a vasta parede caiada de
vermelho.
Quando
eu nasci e enquanto fui pequeno, estava a fábrica em poder de seu filho Abraão
Amram, cuja morte conheci. Não me lembro é dos três incêndios que a mesma
sofreu. Em que parece que sempre ardeu todo o recheio (ora, cortiça!) sempre
coberto pelo seguro! Mas lembro-me muito bem de ver a prensa hidráulica
instalada na igreja atravancada de fardos, e da abertura por onde passavam as
correias que vinham do motor, montado junto a um dos moirões do claustro. Onde
ainda estão as suas marcas! Faro sorriu a isto durante mais de 80 anos!
Extraordinária brandura de costumes!
Morto
Abraão, ficaram os filhos, que não eram Isaac e Jacob, mas Samuel e Jshuah, que
pouco tempo a geriram, pois a passaram ao alemão Greiner, associado depois com
Fritz Henzler, que se tornou por último seu único proprietário.
Faça-se
aqui justiça ao segundo e ao último proprietário. Um porque salvaguardou
algumas peças nobres do edifício, mandando-as para o Museu dos Capuchos, o
outro, porque foi de uma compreensão cultural e de um civismo excepcionais nas negociações
para a aquisição do convento pela Câmara Municipal. Tenho muita honra e muito
prazer em fazer esta afirmação.
________________________
E com isto começa a… ressurreição do vetusto
edifício, que, desde 1948, é monumento nacional. Foi a Câmara do Dr. Gordinho
Moreira que, em 7 de Outubro de 1960, assinou a escritura da aquisição do
Convento e sua cerca por 650.000$00, acto que um jornal farense declarou com
muita justiça «de verdadeira inteligência, de autêntica política do espírito e
de indesmentível amor à terra». Recorde-se bem que o fim com que se fez esta
compra foi – a instalação dos Museus e da Biblioteca Municipal.
A
aspiração era antiga. Já em 1915 o Dr. José de Figueiredo, inspector dos Museus
Regionais, propôs ao Governo a expropriação e restauro do edifício, saindo até
um decreto – o n.º 2042, de 11-IX-915 – para a criação do museu regional de
arte e arqueologia – decreto de que ninguém fez caso, a começar pelas estâncias
superiores, que tinham que dar o subsídio de 300$00 anuais!...
Em
1922, houve outra pessoa – o Cónego Lorena – que alvitrou essa aplicação.
Depois muitas vezes se falou nisso ou escreveu, como num manuscrito de Honorato
Santos, de 1943.
Mas
só na sexta década do século, a aspiração se havia de concretizar, com o início
do restauro do convento, começado com grande entusiasmo e febril actividade,
embora com discutíveis critérios. Era a Câmara que «punha as toalhas», mas a D.
G. dos E. e M. Nacionais dava dinheiro do Fundo do Desemprego.
Em
1971, com o consentimento inteligente do Major Vieira Branco, trouxe dos
Capuchos para a igreja do Convento os quadros, que se estragariam por completo
(e perdiam-se alguns milhares de contos!) se continuassem lá. E, depois de ter
visto o convento ser cobiçado para tudo e servir para tudo, até, duma vez, para
aviário e coelheira, consegui autorização para trazer para ele o recheio que
lhe era destinado; procurei alojá-lo, parte provisória, parte definitivamente.
E, feita essa arrumação, que não é boa, mas… «já se vê», tive a consolação de
ver inaugurado provisoriamente e aberto ao público o museu, rendez-vous de
muitas dezenas de estrangeiros, que dali podem levar uma ideia do nível
cultural da cidade que visitam.
Em
curso a ressurreição. Mas esta é de nova espécie – é aos solavancos! Porque,
enquanto por um lado se quer dar vida ao magnífico edifício, por outro há um
«leque» (deixem-me sacrificar à actualidade!) de inibições, inércias,
resistências surdas, incompreensões e desinteresses, que conservam interrompido
o restauro, há cinco anos! Em 1974, meses antes do 25 de Abril, veio a Faro o
Ministro das Obras Públicas. Viu o convento. E, chegado a Lisboa, deu um
despacho para os Monumentos Nacionais, mandando que fosse considerada a
continuação das obras. Até hoje, tudo continua na mesma!
Uma
parte dos trabalhos (a de carpintaria) ficou a cargo dos serviços camarários. A
Câmara tem votado todos os anos verbas para o restauro do Convento. Só uma
pequena parte delas é gasta, em ninharias, e os caixilhos para as janelas
continuam em meio, de uns anos para os outros, não se sabe porquê!...
A
electrificação ficou também (contra vontade do respectivo director delegado,
diga-se a verdade!) a cargo dos Serviços Municipalizados, hoje Federação dos
Municípios. Mas as perguntais deixadas sem resposta lá de cima, apesar de três
visitas de técnicos de electricidade dos Mon. Nacionais, justificam a inércia
local. E a electricidade do convento continua no estado em que a «Capital» a
mostrou há semanas, nanja a meu pedido.
Desde
ontem tenho algo a acrescentar. Um ofício da Câmara, de 27 Nov.º de 1975, teve resposta a 9 de Abril
dizendo que «estes Serviços (dos M. Nacionais) consideram que o estudo
respeitante à instalação eléctrica do Convento de N. Sr.ª da Assunção só poderá
ser elaborado depois dessa Câmara fornecer um programa gráfico das instalações
previstas para o imóvel, pelo que solicita o seu envio».
Meus
senhores, eu não sou comunista, nem crente no poder popular, mas, palavra de
honra, gostava de ver o Zé a administrar estas coisas, pois me parece que
andariam melhor!
Eu
não tenho no museu um gabinete de trabalho, nem há um compartimento onde se
possam executar aquelas tarefas que são correntes nos museus, Tenho as casas
respectivas, que só precisam de relativamente pequenos acabamentos. Tenho
verbas aprovadas há dois anos. Mas mil pequenas inércias combinadas fazem com
que tudo continue como dantes!...
Em
1971, o resto do restauro fazia-se (o edifício tem 26 salas – só 8 estão
restauradas) com 500 contos. Este ano, os Mon. Nacionais declararam
candidamente (eu não sei se o advérbio devia ser outro!) que agora custa 3
mil!... E quem teve a culpa? Nanja eu, que todos os anos tenho pedido nos meus
relatórios que o restauro do Convento seja retomado!
Também
candidamente os Mon. Nac. declaram no último documento que para cá mandaram que
já não têm o dinheiro do Fundo do Desemprego e que a Câmara, proprietária do
convento, deverá pedir o auxílio do GaPA. Para aí que eu volto as minhas
esperanças!
Se
há 25 mil contos, como vejo anunciado nos jornais, para a construção de uma
Casa da Cultura (e só reparo no monopólio que aquele da representa – e
repugnam-me monopólios em plena ânsia de liberdade!) não haverá a brincadeira
de 3 mil para acabar uma casa modestamente de cultura, mas que já a faz, não só
a nacionais mas até a estrangeiros de todo o mundo, incluindo China e Japão, e
que só espera, para fazê-la ainda em maior grau, ter todas as suas salas
aproveitáveis?
Ninguém
pensou ainda nas sessões, nos cursos, até populares, nas mesas redondas, nas
exposições temporárias e especializadas e outras actividades que o Museu podia
desenvolver, se não tivesse metade do edifício em bruto!…
É
por todas estas razões, meus senhores, que eu disse o outro dia à «Capital» que
estou só: não «orgulhosamente só», nem «humildemente só», mas «infelizmente
só!».
Por
ver que a ressurreição do Convento e do Museu, obra para que fui chamado, que
constitui a essência da missão que me confiaram, começa a esfumar-se nas
nebulosidades das inércias que a rodeiam e no espectro dos meus setenta anos
que se avizinham e parece que são mais importantes que a realização dum ideal
de interesse para toda uma Cidade.
__________________
Contra
os preceitos da oratória, comecei por mim e acabo
Oxalá
tenha conseguido comunicar a V.ªs Ex.ªs uma centelha de amor por aquela casa,
que é de todos nós, e que, se eu a visse concluída e a funcionar como deve ser,
cantaria como o Simeão do Templo: Agora posso morrer em paz, porque meus olhos
viram o que desejavam e aí fica a resplandecer como uma luz de Arte, de Beleza
e de Cultura.
NOTA
Publicada
mais de um ano depois de proferida, esta conferência necessita de alguns
esclarecimentos.
O
primeiro é que a actual Câmara já mandou colocar os caixilhos nas janelas.
Honra lhe seja!
Outro
é que, em fins do ano passado, a D. Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais,
sondada sobre o seu retraimento em conceder fundos para o restauro do Convento,
definiu a sua posição, respondendo que era à Câmara, sua proprietária, que
competia exarar no orçamento verbas significativas, que justificassem comparticipações
do Estado.
Efectivamente
a Câmara apresentou no orçamento deste ano, para restauro do Convento, 2.500
contos.
Como
só em Junho o fez saber aos Monumentos Nacionais, estes responderam, não sem um
sentido de humor: Pois, se o restauro custa 3.000 contos e os srs. têm para
gastar 2.500, gastem-nos este ano, que, no próximo, iremos procurar ajudá-los
com o resto, visto que, a quatro meses do fim o ano, as verbas previstas se
encontram esgotadas.
A
isto creio que não há que refilar, mas só que sorrir…
Mas
o meu sorriso é triste, porque continuo a não ver nada, embora continue a lutar
até ao último momento!
Professor
Pinheiro e Rosa
Retirada dos Anais do Município
de Faro
Oferta do amigo João Resende, em
Maio de 2008, no centenário do ilustre professor.
Na sessão de encerramento das
comemorações dos 25 anos do Rotary Club de Faro, que teve lugar no salão do
Museu Lapidar Infante
"(...) Como podem
imaginar, é para mim um momento de rara felicidade estar presente nesta sessão
solene de encerramento das comemorações do 25.º aniversário do Rotary Club de
Faro, já que a este aniversário está de certo modo ligada uma recordação feliz
da minha vida de Rotário, o mesmo é dizer, da minha vida de homem e de cidadão.
Para mim, ser Rotário é procurar de qualquer forma integrar-me na vida social,
mantendo um elevado princípio de ética, capaz de fazer de mim um cidadão útil.
(...)
Há 25 anos, eu trouxe comigo
as Cartas Mensais que fizeram referências à formação do Rotary Club de Faro.
Foi no dia 15 de Outubro que anunciamos a instalação e, em 15 de Dezembro,
fizemos referência muito especial a este Clube, visto que, por decisão do
Comité Central de R. I. de 16 de Novembro de 1961 foi admitido, como sócio
efectivo, o Rotary Club de Faro. Era mais uma realidade do Distrito 176, que
foi possível mercê do trabalho desenvolvido pelo nosso Companheiro Benigno
Paulo da Cruz. A este Companheiro e a todos os que o ajudaram as nossas felicitações.
Se me permitem, gostaria de
ler integralmente o que escrevi ao anunciar a instalação deste Clube, porque
não deveremos esquecer que os homens conseguem projectar o seu pensamento para
além das realidades do presente e se afirmam pelo seu trabalho, pela sua
dedicação, pela sua determinação, como fieis servidores das suas próprias
ideias e, portanto, são excelentes realizadores das suas intenções:
[ "Vencidas as
dificuldades iniciais, está em funcionamento o Clube Provisório de Faro, cujo
processo de admissão já foi enviado ao Conselho Director de R. I.. Este Clube,
se for aprovado por quem de direito, como se espera, constituirá um importante
passo na expansão Rotária do Distrito 176. Podemos, com certeza, esperar da sua
formação e do seu funcionamento o fulcro de irradiação dos princípios rotários
latentes no espírito dos homens de boa vontade e que muitas vezes se não
revelam por falta de oportunidade. É que Rotary desperta, assim, no Sul do
País.
Deve-se a formação deste
Clube à acção paciente e dinâmica do ex-companheiro de Braga e de Matosinhos,
Benigno Paulo da Cruz. Transferido para Faro, por imperativos de ordem
profissional Benigno Cruz que, ao despedir-se do Clube de Matosinhos, de que
era sócio fundador, prometera ao distrito um clube na cidade que o ia acolher.
Cumpriu rapidamente a sua palavra, conseguindo agregar, em escassos meses, um
grupo de personalidades destacadas do meio, a quem os princípios rotários
interessaram e entusiasmaram. Como era natural, ofereceu a formação deste Clube
ao Clube de Matosinhos, como retribuição da amizade que claramente lhe foi
demonstrada no momento da partida.
Porém, Matosinhos, numa
atitude verdadeiramente singular, numa demonstração de profundo sentido das
responsabilidades e no desejo de ver o novo clube devidamente amparado nos
passos sempre incertos dos primeiros tempos, solicitou colaboração ao clube de
Setúbal, a que pertence o Representante Especial do Governador, o Past
Governador Moitinho de Almeida, que procedeu à organização do processo e à
instalação do novo clube. Sei que o clube de Setúbal acolheu entusiasticamente
o pedido de Matosinhos e se prepara para dar colaboração efectiva para o
apadrinhamento ao clube algarvio.
Está de parabéns o Benigno
Paulo da Cruz, pela notável acção desenvolvida e pelo êxito extraordinário dos
seus esforços. Está de parabéns o clube de Matosinhos pelo sucesso do seu novo
afilhado e pela lição de rotarismo que tão firme e elegantemente soube dar.
Está de parabéns o Moitinho de Almeida, está de parabéns o clube de Setúbal e,
finalmente, está de parabéns o Distrito 176 e, com ele, todos os Rotários de
Portugal, por ter sido enriquecido com um clube que virá a ter larga projecção.
A todos felicito vivamente."]
(...)
Seria injusto se, ao
finalizar esta pequena evocação da formação deste Clube, não citasse aqui os
nomes dos Companheiros que assumiram a responsabilidade de dirigir este Clube
no seu primeiro ano de vida:
Alguns já partiram. Outros
felizmente, ainda estão entre nós para nos dar o calor da sua amizade, nos
apontar o caminho com a lição da sua vida. Para os que foram, a nossa saudade
sentida. Para os que estão, e para os que vieram depois, um abraço muito grande
de amizade e gratidão."
Reproduzi, quase na íntegra,
as palavras deste nosso Companheiro Past Presidente porque traduzem o meu
pensar e, acreditem, não seria capaz de dizer melhor. Permitam-me que
acrescente apenas uma pequena nota. O Rotary Clube de Faro está vivo e activo e
compromete-se a continuar a trilhar um caminho que honre estes grandes obreiros
da sua criação.
Obrigado
pela vossa atenção.
Tenho
dito.
Praia
da Rocha, 25 de Maio de 2006
© Rotary Club de Faro –
Distrito 1960